JUSTIÇA E SEGURANÇA

Esquema de fraude em concurso da Polícia Federal também tinha base em Alagoas, revela MPF

Operações 'Última Fase' e 'Concorrência Simulada' identificam organização criminosa que cobrava até R$ 280 mil por gabaritos; dez pessoas foram denunciadas

Por Redação Publicado em 29/04/2026 às 07:59
Arquivo

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou a primeira denúncia criminal decorrente das investigações que desmantelaram um sofisticado esquema de fraude em concursos públicos. O foco da ação penal é o certame da Polícia Federal de 2025, onde foi identificada uma organização criminosa com núcleos operacionais estratégicos em Alagoas, Paraíba e Pernambuco.

Ao todo, dez pessoas foram denunciadas por integrar ou colaborar com o grupo. A estrutura era dividida em núcleos de gestão, execução e beneficiários, funcionando como uma verdadeira "empresa do crime" voltada para a manipulação de certames de alto nível em diferentes estados do Nordeste.

Modus Operandi: Tecnologia e Infiltração

As investigações das operações Última Fase e Concorrência Simulada detalham que o grupo não agia de forma amadora. O esquema para o cargo de Delegado da Polícia Federal, ocorrido em julho de 2025, envolvia:

Captação: Abordagem de candidatos dispostos a pagar altas cifras.

Infiltração: Pessoas eram designadas apenas para fotografar as provas dentro das salas.

Transmissão: Envio das imagens em tempo real para especialistas de prontidão.

Logística: Distribuição dos gabaritos aos clientes mediante pagamentos que ultrapassavam R$ 280 mil.

Conexão Alagoas e Quebra de Acordos

O núcleo alagoano era peça-chave na logística e movimentação financeira do grupo. O MPF identificou movimentações bancárias atípicas e trocas de mensagens que confirmam a participação direta de colaboradores residentes no estado e em regiões vizinhas.

Além da denúncia, o Ministério Público Federal solicitou a revogação dos benefícios de colaboração premiada de dois envolvidos. Segundo o órgão, ambos descumpriram o acordo ao omitirem informações cruciais e continuarem a praticar ilícitos mesmo após a assinatura do pacto com a justiça.

"A organização seguia uma lógica comercial rigorosa, onde o valor da fraude era calculado com base no salário inicial do cargo pretendido", destaca o texto da denúncia.

Penalidades

Os acusados responderão por uma série de crimes graves, incluindo:

Organização criminosa e lavagem de dinheiro;

Fraude em certame de interesse público;

Corrupção ativa e passiva;

Falsidade documental e embaraço à investigação.

O MPF requer agora a responsabilização criminal imediata, o ressarcimento aos cofres públicos pelos danos causados e a aplicação rigorosa das penas previstas em lei.