Com base de 5 milhões de animais, associação brasileira de genética bovina chega aos 30 anos e quase 60 de contribuição ao setor
Associação amplia investimentos em tecnologia, parcerias internacionais e suporte estratégico ao pecuarista
A Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP) completa 30 anos neste mês de abril e chega à data consolidada como uma das principais referências do país em avaliação genética de bovinos de corte. Oficializada em 1996, a entidade é resultado de uma trajetória técnica iniciada em 1968 e fortalecida em 1988 com a criação do Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore (PMGRN), atual Programa Nelore Brasil.
Hoje, a ANCP reúne seis programas de melhoramento genético, uma base com mais de 5 milhões de animais, mais de 2 milhões de descendentes da Reprodução Programada e atuação em milhares de fazendas, além de ampliar sua presença nacional e internacional com mais de 60 consultores.
“Chegar aos 30 anos da ANCP com esse legado é motivo de orgulho, mas também de responsabilidade. A Associação entra em uma nova fase, com foco em inovação, segurança da informação, expansão técnica e apoio cada vez mais estratégico ao pecuarista. É essa visão ampla, de inovação de ponta a ponta, que fortalece a ANCP no presente e amplia sua capacidade de gerar valor para o futuro do melhoramento genético”, afirma Cristiano Botelho, CEO da ANCP.
A base científica que sustenta a entidade começou a ser construída ainda em 1968, a partir de estudos conduzidos na USP de Ribeirão Preto. Ao longo das décadas, esse trabalho evoluiu para uma estrutura técnica aplicada diretamente ao campo, aproximando pesquisa e produção e ajudando a transformar a genética em ferramenta estratégica para a pecuária brasileira.
Para o professor Raysildo Barbosa Lôbo, presidente emérito da ANCP, a trajetória da Associação está diretamente ligada à capacidade de traduzir conhecimento técnico em resultado prático nas fazendas. “Lembro-me de uma palestra sobre melhoramento genético em que se mencionaram três letras: DEP. Na época, isso causou um grande impacto nos criadores, que se perguntavam como seria possível avaliar um animal e traduzir seu valor dessa forma. Nosso trabalho foi mostrar que aquilo funcionava no campo. Hoje, o melhoramento genético é uma linguagem bem mais conhecida em todo o Brasil, mas a seleção começa com o criador e também termina com o criador. Nós geramos as DEPs, mas o resultado depende do uso que se faz delas”, afirma.
Entre os marcos dessa trajetória está a Reprodução Programada (RP), teste de progênie oficial da ANCP criado em 1995 e que completa 30 anos em 2025. Segundo a entidade, o programa já avaliou 766 touros, com impacto sobre mais de 739 mil filhos e 1,3 milhão de netos, distribuídos em cerca de 1.200 fazendas. Metade da base de dados da ANCP, formada por mais de 5 milhões de animais, é composta por descendentes diretos de touros da RP.
Nos últimos anos, a ANCP intensificou sua agenda de inovação. Em abril, publicou uma nova avaliação genética com atualizações na base de dados para características de crescimento, avanços no uso de genótipos, parentesco genômico, controle de qualidade das informações e características reprodutivas e de eficiência alimentar. A entidade também anunciou parceria com o pesquisador Dr. Daniel Jordan de Abreu Santos, desenvolvedor da tecnologia de segregação gamética, iniciativa inédita no Brasil que busca ampliar a capacidade preditiva das avaliações genéticas e refinar as decisões de seleção.
No campo da internacionalização, a Associação formalizou recentemente parcerias com a Asociación Mexicana de Criadores de Cebú (AMCC) e com a Asocebu Bolívia, com foco em avaliações genéticas, capacitação técnica, treinamento de consultores, sistema de acasalamento e divulgação de DEPs para raças zebuínas.
Ao celebrar 30 anos como associação e quase seis décadas de construção técnica, a ANCP reafirma sua posição na vanguarda do melhoramento genético bovino, conectando ciência, campo e inovação em favor de uma pecuária cada vez mais eficiente, orientada por dados e alinhada aos desafios do futuro.