Cultura do compartilhamento acelera mercado imobiliário de R$ 92 bilhões
A mudança de comportamento geracional, que provocou um fenômeno de vendas por meio de plataformas de consumo colaborativo em todo o mundo, transbordou para outros setores. No mercado imobiliário, a multipropriedade atinge marco histórico e VGV bilionário no Brasil e modelo expande para destinos fora dos grandes eixos.
Abril, 2026 - A transição da economia da posse para a economia do acesso vai além das plataformas digitais amplamente conhecidas e consumidas. O que começou como uma reestruturação na forma como nos locomovemos, nos alimentamos e consumimos conteúdo consolidou uma mudança comportamental que atinge outros setores como o imobiliário.
Estudos globais sobre a Sharing Economy (Economia do Compartilhamento), liderados por consultorias como a PwC, mapearam a ascensão de plataformas de uso colaborativo e estimaram que esse setor deve movimentar receitas de US$ 335 bilhões até o fim de 2025. Embora essas projeções observem a macrotendência do acesso, sustentada pela tecnologia, o raciocínio relacionado à preferência das pessoas pela flexibilidade, pelo uso eficiente de recursos e pelo previsibilidade de custos, contribuiu para impulsionar a multipropriedade imobiliária, conforme explica Roberto Kwon, CEO do Amazon Parques & Resorts, complexo multipropriedade que está sendo construído no litoral catarinense, na cidade de Penha, gerenciado pela global Wyndham Hotels & Resorts.
"O consumidor moderno, influenciado pela lógica de valorizar a experiência em detrimento da imobilização de capital em um bem ocioso, tem amadurecido e encontrado no uso fracionado a solução para o imobiliário de lazer”, explica.
No mercado nacional, a fusão entre a nova mentalidade de consumo e a segurança jurídica (estabelecida pela Lei da Multipropriedade 13.777/2018) refletiu no desenvolvimento do setor. A edição 2025 do relatório da Caio Calfat Real Estate Consulting, revela que o Valor Geral de Vendas (VGV) potencial rompeu as projeções iniciais e atingiu a marca de R$ 92,7 bilhões.
O volume representa um salto de 16,6% em relação ao ano anterior, com empreendimentos que alcançam 97 cidades brasileiras. Ao invés de arcar com o custo integral de uma segunda residência, o cliente adquire a fração de tempo que efetivamente utilizará (de sete a 28 dias anuais), diluindo os custos operacionais de uma infraestrutura de alto padrão.
O Sul do país assumiu a liderança desse crescimento. O município de Penha, no litoral norte de Santa Catarina, que já possui uma demanda orgânica superior a 2 milhões de visitantes anuais ancorada no turismo de entretenimento com o Beto Carrero World, belas praias, acesso fácil e infraestrutura, ilustra a ampliação desse modelo. A cidade abriga o Amazon Parques & Resorts, em construção, com mais de 20 mil metros quadrados de área construída e cerca de 250 unidades habitacionais.
“Ao permitir que mais pessoas tenham acesso a hospedagens de alto padrão, o modelo amplia o tempo de permanência, favorece o turismo em família e gera impacto na economia ao longo de todo o ano, com uma ocupação previsível e contínua”. O imóvel ganha escala através de afiliações como a RCI, permitindo a conversão do patrimônio nacional em viagens globais” exemplifica Roberto Kwon.
Para o Produto Interno Bruto (PIB) do município, o diretor comercial do Amazon, Márcio Piccoli, explica que multiproprietário transcende a figura do turista convencional e se transforma em um agente contínuo de desenvolvimento.
"Pesquisas apontam que 43% desses compradores permanecem de seis a dez dias no destino, período maior frente à média nacional de cinco dias. Os gastos em alimentação, transporte e lazer chegam a ser 60% superiores aos do viajante tradicional”, complementa o executivo.