MC Ryan é transferido de presídio após excesso de visitas de advogados, diz defesa
Cantor, investigado por suposta lavagem de dinheiro ligada ao PCC, foi levado do CDP de São Paulo para penitenciária no interior; SAP não detalha motivos.
O cantor MC Ryan, preso preventivamente sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi transferido do Centro de Detenção Provisória (CDP) em São Paulo para a Penitenciária II de Mirandópolis, no interior do Estado.
Segundo o advogado Felipe Cassimiro, a transferência ocorreu devido ao número excessivo de visitas de advogados ao CDP, muitos deles interessados em representar o artista. "Bem possível que mais de cem advogados (foram ao CDP)", relatou Cassimiro ao Estadão.
De acordo com o defensor, o assédio acontece porque o caso envolve uma pessoa famosa e com alto poder aquisitivo, o que atrai profissionais em busca de notoriedade. "Isso acontece com recorrência e envolve até questões éticas", afirmou.
Cassimiro destacou que a decisão de transferência foi administrativa, sem solicitação da defesa. "Eu queria mantê-lo aqui (no CDP, em São Paulo) para que ele possa ficar mais perto dos familiares", explicou. Mirandópolis fica a cerca de 600 quilômetros da capital paulista.
A Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo (SAP-SP) confirmou apenas a transferência, sem comentar os motivos.
MC Ryan foi alvo da Operação Narco Fluxo, deflagrada em 15 de abril, suspeito de liderar um esquema que teria movimentado R$ 1,6 bilhão oriundos do crime organizado. As investigações apontam lavagem de dinheiro de origem ilícita, incluindo tráfico internacional de drogas, por meio de plataformas de apostas.
O cantor Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, dono da página "Choquei", também foram detidos. As defesas sempre alegaram inocência.
Inicialmente, os três foram presos temporariamente, mas acabaram soltos após decisão do ministro Messod Azulay Neto, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que considerou a prisão temporária ilegal.
Posteriormente, a pedido da Polícia Federal, o juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos, decretou a prisão preventiva de MC Ryan, Poze do Rodo, Raphael Sousa Oliveira e outros 33 investigados da Operação Narco Fluxo.
O advogado de MC Ryan considera a prisão preventiva ilegal e defende que o cantor poderia responder ao processo em liberdade, por meio de medidas cautelares. "Ele é réu primário", ressaltou.
A Operação Narco Fluxo envolveu 200 policiais federais e o cumprimento de 90 mandados judiciais em nove estados e no Distrito Federal. Foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 33 de prisão temporária.
Bens dos investigados foram sequestrados até o valor de R$ 2,26 bilhões, com base no suposto lucro das atividades criminosas, incluindo o tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína e movimentações financeiras detectadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).