Homem mata companheira com tiro na Grande SP; polícia investiga caso como feminicídio
Crime ocorreu em São Bernardo do Campo; suspeito está foragido e duas crianças estavam na residência. Estado registra aumento de feminicídios em 2024.
Alerta: O texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e feminicídio. Caso você se identifique ou conheça alguém nesta situação, ligue 180 e denuncie.
Uma mulher de 39 anos foi morta na noite da última sexta-feira, 1º, em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, vítima de disparo de arma de fogo efetuado pelo companheiro, um homem de 52 anos. O suspeito fugiu do local e está foragido. O crime ocorreu na rua Igor Costa Nascimento, no bairro Cooperativa.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), policiais militares foram acionados para atender a ocorrência e, ao chegarem ao local, encontraram a vítima caída. O resgate foi chamado, mas a morte foi constatada no próprio local do crime.
O caso foi registrado como feminicídio no 3º Distrito Policial do município. "As diligências prosseguem para localizar o homem e esclarecer os fatos", informou a SSP-SP, em nota.
Em entrevista à TV Globo, o irmão da vítima relatou que, há cerca de um mês, a mulher comentou que vivia em "pé de guerra" com o marido, com brigas constantes. Segundo a emissora, o feminicídio ocorreu na residência do casal e duas crianças, filhas deles, estavam na casa no momento do crime.
Recorde de feminicídio em SP
Dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo na última quinta-feira, 30, apontam que o Estado registrou recorde de feminicídios no primeiro trimestre deste ano. Entre janeiro e março, foram 86 ocorrências, ante 61 no mesmo período de 2023.
Em nota, a SSP-SP afirma que os indicadores criminais são monitorados permanentemente e que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do governo de São Paulo, que tem "intensificado de forma contínua a rede de proteção e os mecanismos de prevenção".
A coronel Glauce Anselmo Cavalli, primeira mulher a assumir o comando da Polícia Militar de São Paulo, declarou nesta semana, durante sua posse, que pretende priorizar o combate à violência doméstica e familiar. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) reforçou o compromisso em seu discurso.
Entre os casos de maior repercussão deste ano está o do tenente-coronel PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, apontado como principal suspeito de matar a soldado da PM Gisele Alves Santana, de 32, com um tiro na cabeça, dentro do apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo, em 18 de fevereiro.
Nesta semana, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o tenente-coronel, réu por feminicídio, será julgado pela Justiça Comum, na 5ª Vara do Júri de São Paulo. O oficial nega o crime e afirma que Gisele teria cometido suicídio após receber a notícia da separação, versão contestada pelos investigadores.
Colaborou: Ítalo Lo Re