Warren Buffett alerta para riscos na avaliação de executivos em grandes empresas
Investidor ressalta que sucessões podem impactar decisões e compara escolha de líderes à decisão de casamento
O megainvestidor Warren Buffett recomendou cautela aos investidores diante de mudanças de liderança em grandes empresas, reconhecendo que avaliações sobre executivos podem ser falhas. O comentário foi feito durante entrevista à CNBC, na conferência anual da Berkshire Hathaway, neste sábado (2).
Buffett foi questionado sobre a saída de executivos de empresas importantes do portfólio da Berkshire, como Tim Cook (Apple), James Quincey (Coca-Cola) e Vicki Hollub (Occidental Petroleum). O investidor também foi indagado se a troca de gestores poderia alterar sua visão sobre essas participações.
Em resposta, Buffett destacou que equívocos de liderança podem permanecer por anos em companhias de consumo recorrente. "Com um produto que as pessoas compram todos os dias, é possível tomar uma decisão errada por muito tempo", afirmou, citando a experiência da Coca-Cola.
O investidor admitiu que ainda está conhecendo parte dos novos executivos à frente de grandes empresas americanas, ponderando que avaliações sobre pessoas nem sempre são precisas. "Você pode errar no julgamento sobre pessoas", disse.
Em tom descontraído, Buffett comparou o processo de escolha de executivos à decisão de casamento. "Quando eu era jovem, muita gente decidia se casar aos 20 ou 21 anos. Agora, as pessoas passam cinco anos e ainda cometem os mesmos erros", brincou.
Para Buffett, é difícil prever o comportamento de líderes ao assumirem cargos de comando. "Talvez as pessoas se comportem de um jeito antes do casamento e de outro depois", avaliou.
Sucesso dos EUA
Na mesma entrevista, Warren Buffett afirmou que os Estados Unidos possuem um "ingrediente secreto" que transformou o país em um "milagre absoluto", ao abordar temas como imigração, valores nacionais e sucessão na Berkshire Hathaway.
Ao falar sobre o CEO da Berkshire, o canadense Greg Abel, Buffett destacou que o executivo está próximo de obter cidadania americana e considerou significativo o fato de pessoas continuarem buscando viver nos EUA. "A América é especial. O que a América realizou é um milagre, um milagre absoluto", declarou.
Segundo Buffett, os EUA mantêm há mais de dois séculos uma capacidade única de atrair pessoas de diferentes partes do mundo. "As pessoas querem vir para cá. Você não consegue 'comprar' esse sentimento em lugar nenhum", afirmou.
O investidor admitiu nunca ter identificado qual seria esse "ingrediente secreto" americano, mas avaliou que o sistema construído ao longo da história dos EUA produziu "resultados excepcionais". "Esse país fez muitas coisas de forma diferente, e de algum jeito funcionou", concluiu.
Questionado sobre o que seria necessário para preservar esse modelo, Buffett respondeu que os Estados Unidos ainda têm condições de evoluir e melhorar. "Isso não significa que não possamos fazer melhor", disse.
Ao final da entrevista, Buffett deixou uma mensagem aos acionistas presentes na conferência anual da Berkshire e defendeu a chamada "regra de ouro" como princípio de vida: "Faça aos outros o que você gostaria que fizessem a você". Segundo ele, pessoas que seguem esse princípio tendem a construir relações mais sólidas ao longo do tempo. "Nunca vi alguém que se comportasse assim se dar mal por isso", afirmou.