TENSÃO INTERNACIONAL

Presidente de Cuba critica novas sanções impostas pelos EUA

Miguel Díaz-Canel rejeita medidas anunciadas por Trump e denuncia tentativa de coerção econômica contra a ilha

Publicado em 03/05/2026 às 14:40
Miguel Díaz-Canel Reprodução / Instagram

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, criticou duramente as avaliações impostas ao país na última sexta-feira pelo governo dos Estados Unidos, questionando até a comunidade internacional tolerando punições coletivas e abusivas por parte dos norte-americanos.

O discurso de Díaz-Canel, divulgado pela imprensa oficial neste domingo, 3, foi realizado em um encontro com grupos de solidariedade à ilha, um dia após o presidente dos EUA, Donald Trump, liderar uma nova ordem executiva contra a nação caribenha.

“Esta política não busca apenas uma 'mudança de regime', mas também constitui um ato de desestabilização regional, forçando a comunidade internacional a uma escolha impossível entre sua relação com Cuba e o acesso ao mercado e ao sistema financeiro dos Estados Unidos”, afirmou Díaz-Canel.

Segundo o presidente cubano, "do ponto de vista das relações internacionais, esta ordem executiva é um caso de ingerência direta e unilateral por parte dos Estados Unidos". Ele acrescentou: “É uma clara tentativa de impor um modelo político por coerção econômica, usando uma lei doméstica (dos Estados Unidos) para ditar as políticas de outras nações, em detrimento do multilateralismo”.

Díaz-Canel conclamou os governos do mundo a não tolerarem esse "abuso", comparando a situação a episódios ocorridos na Palestina e no Líbano.

As relações entre Cuba e os Estados Unidos atravessam o seu pior momento em décadas, após Trump importar um cerco energético à ilha, instruído por mudanças no modelo político cubano e declarando explicitamente o objetivo de asfixiar a economia do país.

A ordem executiva assinada na sexta-feira por Trump prevê o bloqueio de ativos de pessoas que atuam em setores-chave da economia cubana, como energia, mineração, defesa, segurança e tecnologia. A medida também ameaça bancos, que podem perder suas contas nos Estados Unidos.

O cerco energético imposto desde janeiro quase paralisou a ilha, provocando longos pagamentos, limitações no transporte, operações operando parcialmente, voos cancelados ou reduzidos, jornadas de trabalho encurtadas e desabastecimento de produtos básicos e medicamentos.

Atualmente, Cuba produz apenas 40% de suas necessidades de petróleo.

Díaz-Canel classificou as medidas como um “castigo coletivo”. Analistas e líderes internacionais alertam para o risco de uma crise humanitária.

"Montaram uma enorme campanha dizendo que nós somos uma ameaça incomum e extraordinária contra os Estados Unidos, que violamos os direitos humanos, que somos um Estado falido... que eles estão muito preocupados com as vicissitudes do povo cubano", declarou o presidente. "Se estão tão preocupados, que levantem o bloqueio, porque os principais problemas do povo cubano têm a ver com a imposição desse bloqueio durante tanto tempo" .

Com informações da Associated Press.