Brasil e Irã discutem guerra no Oriente Médio e buscam saída diplomática em conversa entre chanceleres
Mauro Vieira e Abbas Araghchi debatem impactos globais do conflito e analisam proposta iraniana para encerrar hostilidades.
Chanceleres do Brasil e do Irã dialogam sobre soluções diplomáticas para o conflito no Oriente Médio, avaliando propostas e impactos internacionais.
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou por telefone com o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, para tratar do conflito no Oriente Médio e das perspectivas para uma solução diplomática. O contato anterior entre as autoridades ocorreu no final de março, também por telefone, quando Vieira estava em Paris para uma reunião do G7.
Segundo o Itamaraty, os ministros discutiram "o atual estágio da guerra envolvida no Irã, a situação regional no Oriente Médio, os múltiplos impactos globais do conflito e as perspectivas para uma saída negociada". Durante uma conversa, Vieira manifestou solidariedade às vítimas dos ataques militares.
O diálogo ocorre em meio ao aumento dos esforços diplomáticos para encerrar a guerra. O Irã apresentou recentemente uma proposta de 14 pontos, contrapondo-se ao plano de nove pontos dos Estados Unidos, ambos com foco no fim das hostilidades.
A iniciativa iraniana, mediada pelo Paquistão, prevê medidas como a suspensão de avaliações, retirada de forças estrangeiras e encerramento das hostilidades em até 30 dias.
De acordo com as autoridades iranianas, o plano não inclui negociações sobre o programa nuclear e busca estabelecer uma solução abrangente para o conflito. Paralelamente, fontes diplomáticas indicam contatos indiretos entre Estados Unidos e Irã, com Teerã demonstrando disposição para analisar propostas consideradas "adequadas".
Divergências sobre a existência e o andamento dessas conversas, incluindo declarações do ex-presidente Donald Trump sobre possíveis acordos, geraram incertezas no cenário internacional, refletidas em oscilações nos preços do petróleo e nos mercados financeiros.
Trump afirmou que analisaria o plano enviado pelos iranianos, mas alertou que ele não seria aceitável segundo as exigências de Washington.