EUA oferecem recompensa milionária por denúncias contra JBS e outras gigantes da carne
Governo americano mira práticas abusivas de grandes frigoríficos e promete até 30% das multas como recompensa a delatores.
O governo dos Estados Unidos está oferecendo recompensas que podem ultrapassar US$ 1 milhão para quem fornecer informações sobre práticas abusivas atribuídas a grandes empresas do setor de carne, incluindo JBS, National Beef, Cargill e Tyson Foods. A iniciativa surge após acusações de conluio e manipulação de preços feitas pelo então presidente Donald Trump.
Em uma operação inédita, autoridades americanas buscam coibir irregularidades no mercado de carne bovina, prometendo recompensas que podem chegar a US$ 1 milhão (cerca de R$ 4,92 milhões) para delatores. Segundo veículos brasileiros, as investigações envolvem a JBS, a National Beef (controlada pela Marfrig), além das norte-americanas Cargill e Tyson Foods, suspeitas de formação de cartel para elevar preços, conforme denunciado por Trump.
A apuração teve início após Trump afirmar que as quatro empresas teriam manipulado o mercado, ampliando sua participação de um terço para mais de 80% das compras de gado entre 1980 e 1990. O Departamento de Justiça dos EUA já analisou mais de três milhões de documentos e ouviu centenas de pecuaristas e produtores para identificar possíveis crimes concorrenciais.
A recompensa pode chegar a 30% do valor das multas aplicadas, que devem superar US$ 1 milhão. A Marfrig afirmou respeitar as leis de concorrência e destacou que a National Beef conta com 700 produtores locais como sócios. Já a JBS, maior produtora de carne dos EUA, não respondeu aos pedidos de comentário.
O caso ganhou contornos políticos após declarações da secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, que classificou a presença de empresas estrangeiras no setor como uma ameaça ao país. Ela citou denúncias envolvendo corrupção, cartel e trabalho escravo, incluindo recentes ações no Brasil, como o pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT) para condenar a JBS por trabalho análogo à escravidão na cadeia da pecuária.
A tensão aumentou quando o conselheiro de Comércio de Trump, Peter Navarro, afirmou que o lobby da carne, liderado por empresas brasileiras, teria pressionado a Casa Branca em meio ao tarifaço imposto aos produtos do Brasil, segundo a imprensa. Em agosto, os EUA aplicaram tarifas de 50% sobre diversas exportações brasileiras, incluindo carne.
O mercado norte-americano enfrenta ainda uma forte redução na oferta de gado, atingindo o menor nível em 75 anos, após uma seca prolongada e a suspensão das importações mexicanas por questões sanitárias. Apesar disso, a demanda interna permanece elevada, pressionando preços e levando frigoríficos a pagar mais pelo gado.
Nesse cenário, produtores criticaram Trump após ele sugerir importar mais carne da Argentina para conter preços. O presidente rebateu dizendo que os pecuaristas só estão em boa situação graças às tarifas impostas ao Brasil e outros países.
Por Sputnik Brasil