IMPACTO INTERNACIONAL

Aeroportos enfrentam escassez de combustível devido ao conflito no Oriente Médio

Crise energética já afeta voos da Lufthansa e pode comprometer operações globais nas próximas semanas

Publicado em 07/05/2026 às 07:10
Aeroportos internacionais enfrentam risco de falta de combustível devido à crise no Oriente Médio. © AP Photo / Marco Ugarte

O conflito no Oriente Médio começa a impactar diretamente a aviação internacional, com sinais de escassez de combustível em grandes aeroportos ao redor do mundo.

O CEO da Lufthansa, Carsten Spohr, alertou que diversos aeroportos já enfrentam dificuldades para reabastecer aeronaves, o que pode interromper operações de voo em escala global.

Na última semana de abril, um voo da Lufthansa com destino à Cidade do Cabo não conseguiu reabastecer após o pouso, obrigando a companhia a alterar o itinerário.

A aeronave, um Boeing 787 com capacidade para 290 passageiros, precisou desviar cerca de 1.448 quilômetros até Windhoek, capital da Namíbia, para reabastecimento antes de retomar sua rota.

Após o reabastecimento, o avião retornou à África do Sul e completou a viagem de quase 12.874 quilômetros até Frankfurt, principal hub da Lufthansa.

Spohr afirmou que a companhia já trabalha em planos para incluir paradas programadas para reabastecimento em rotas para a Ásia e a África, diante do risco de escassez generalizada.

"Se você não consegue chegar ao aeroporto de destino com o combustível disponível, então precisa fazer paradas para reabastecimento. Ainda não chegamos a esse ponto, mas estamos nos preparando para isso", declarou.

O executivo destacou que, embora não haja uma crise imediata, fornecedores e governos garantem o fornecimento de combustível apenas para as próximas seis semanas.

Esse cenário complica o planejamento de voos para além de meados de junho, em meio à alta volatilidade do mercado de energia.

Segundo a mídia britânica, a Lufthansa já cortou 20.000 voos de curta distância de sua programação de verão devido ao aumento dos preços do combustível, que mais que dobraram desde o fechamento do Estreito de Ormuz.

Um jornal britânico também informou que a companhia aérea começou a aposentar aeronaves mais antigas, congelar novas contratações e revisar prioridades de gastos para lidar com o aumento dos custos operacionais.

Nesse contexto, Spohr pediu à União Europeia (UE) que permita o uso de querosene de aviação (Jet A) norte-americano nos aeroportos europeus para reforçar o abastecimento.

A Lufthansa também pressiona pela flexibilização das normas que restringem o transporte de combustível adicional a bordo das aeronaves, prática que poderia aliviar a pressão sobre rotas de curta distância.

Enquanto isso, autoridades britânicas e empresas do setor de turismo afirmam que, apesar de não haver escassez generalizada no momento, o setor se prepara para um "verão de incertezas" devido à evolução do conflito e seus reflexos no fornecimento de energia.


Por Sputnik Brasil