MERCADO FINANCEIRO

Ouro fecha em alta diante de tensões geopolíticas e compras de bancos centrais

Metal é impulsionado por incertezas no Oriente Médio, demanda de bancos centrais e cautela com inflação global

Publicado em 08/05/2026 às 14:35
Barra de Ouro Reprodução

O ouro encerrou a sessão desta sexta-feira, 8, em alta, impulsionado pelas incertezas decorrentes das tensões no Oriente Médio e pelo avanço das compras do metal por bancos centrais. O movimento também foi favorecido por fluxos técnicos de compra e pela percepção de cautela dos investidores diante da inflação persistente, do crescimento econômico e da elevada dívida fiscal nos Estados Unidos.

Na Comex, divisão de metais da Bolsa de Nova York (Nymex), o contrato do ouro para junho subiu 0,42%, fechando a US$ 4.730,70 por onça-troy.

A prata para julho também avançou, com alta de 0,85%, para US$ 80,865 por onça-troy.

Analistas do Saxo Bank destacam que a resiliência do ouro, mesmo diante do bom desempenho das bolsas globais, evidencia a demanda contínua dos bancos centrais e o desconforto dos investidores com os riscos de inflação, atividade econômica e questões fiscais.

A instituição ressalta ainda que o mercado acompanhou atentamente os desdobramentos no Oriente Médio, após a troca de ataques entre Estados Unidos e Irã. Apesar da tensão, o presidente Donald Trump afirmou que o cessar-fogo permanece em vigor e que as partes seguem negociando, com mediação internacional, para retomar o diálogo.

O ING aponta suporte estrutural relevante vindo da China. Segundo o banco, o Banco Central da China (PBoC) registrou em abril sua maior compra mensal de ouro em mais de um ano, alcançando 18 meses consecutivos de aumento nas reservas do metal.

Para os analistas da instituição, a busca renovada por proteção sustentou os preços do ouro, embora os ganhos sigam limitados pelo ambiente macroeconômico restritivo, com juros reais elevados, dólar forte e menor perspectiva de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) no curto prazo.

Na análise técnica, a XS.com avalia que o ouro mantém estrutura positiva enquanto permanecer acima da região de US$ 4.680 por onça-troy, que agora atua como suporte imediato. Segundo a consultoria, o recente rompimento para cima impulsionou novas compras algorítmicas e entradas institucionais, aumentando as chances de o metal buscar o patamar de US$ 4.800 por onça-troy caso o impulso se mantenha.

Com informações da Dow Jones Newswires