POLÍTICA MONETÁRIA

Presidente do Fed de Chicago mantém otimismo com cortes de juros, mas alerta para risco inflacionário

Austan Goolsbee destaca que avanço da desinflação perdeu força e reforça necessidade de vigilância sobre preços, apesar de estabilidade no mercado de trabalho.

Publicado em 08/05/2026 às 15:57

Austan Goolsbee, presidente do Federal Reserve (Fed) de Chicago, afirmou nesta sexta-feira, 8, que permanece otimista quanto à possibilidade de cortes de juros nos Estados Unidos, desde que a inflação retome uma trajetória consistente em direção à meta de 2% e o mercado de trabalho continue estável. Em entrevista à Bloomberg TV, Goolsbee ressaltou, no entanto, que o processo de desinflação perdeu força recentemente, principalmente devido ao choque nos preços do petróleo.

De acordo com Goolsbee, o relatório de emprego (payroll) de abril indicou "um mês bastante estável" para o mercado de trabalho norte-americano.

O dirigente enfatizou a necessidade de o Fed monitorar de perto a inflação e as expectativas inflacionárias dos consumidores, lembrando que os preços estão acima da meta há cinco anos. "A inflação está piorando, mas o mercado de trabalho segue estável. Precisamos ficar de olho nisso", alertou.

Goolsbee acrescentou que a evolução da inflação diante do choque do petróleo é, atualmente, o principal foco do banco central.

Ele classificou um cenário de estagflação como "um dos desafios mais difíceis" para as autoridades monetárias.

Apesar de reiterar que ainda vê espaço para cortes de juros no futuro, o presidente do Fed de Chicago ponderou que "seria errado pensar que cortes são a única opção" disponível à autoridade monetária.

Sobre o balanço patrimonial do Fed, Goolsbee afirmou que ainda pode haver espaço para redução, embora não esteja claro se essa medida será necessária.

O dirigente também demonstrou simpatia pela visão do possível próximo presidente do Fed, Kevin Warsh, sobre a comunicação da instituição. Goolsbee se mostrou aberto a discutir propostas para alterar a forma como o banco central se comunica com o mercado, incluindo a possível abolição do gráfico de pontos.