MOVIMENTO ESTUDANTIL

Estudantes ocupam reitoria da USP há 24 horas após derrubarem portões e invadirem prédio

Manifestação pressiona reitoria por melhorias em refeitórios e bolsas; USP corta água e luz para desmobilizar ocupação

Publicado em 08/05/2026 às 16:16
USP

Estudantes ocupam há 24 horas o prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), na Cidade Universitária, zona oeste da capital paulista, desde a tarde desta quinta-feira, 7. Na manhã desta sexta-feira, 8, a instituição cortou o fornecimento de água e energia elétrica no edifício, numa tentativa de desmobilizar o movimento estudantil. Os alunos, porém, afirmam que só deixarão o local após a reitoria retomar as negociações.

O protesto é organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE Livre) da USP, que busca pressionar a universidade a atender às demandas da greve iniciada em 15 de abril. Entre as reivindicações estão melhorias nos refeitórios, aumento do valor das bolsas de permanência estudantil e demandas específicas de cada curso.

Após tentativas frustradas de negociação, a reitoria da USP encerrou o diálogo com os estudantes na última segunda-feira, 4.

Por volta das 16h de quinta-feira, os manifestantes derrubaram um portão de metal e duas portas de vidro para invadir o prédio da reitoria. Durante a madrugada, acamparam com barracas no saguão e no jardim em frente ao edifício. Policiais militares, já presentes no local, formaram um cordão de contenção para restringir a ocupação e seguem monitorando o protesto nesta sexta-feira.

Em nota, a USP lamentou a "escalada de violência" que resultou na invasão do prédio principal da reitoria e em danos ao patrimônio público. "Diante dessa situação, e respaldada juridicamente, a Universidade adotou as medidas cabíveis, acionando as forças de segurança pública que, já presentes no local, atuam para evitar a ocupação de outros espaços e prevenir maiores danos patrimoniais. Em toda a ação, serão priorizadas a segurança e a integridade física de todos os envolvidos", afirmou a instituição.

O DCE, por sua vez, nega que o ato seja violento. "Não somos nós que queremos depredar o patrimônio público. Queremos resolver isso o mais rápido possível para voltar para as nossas aulas. Queremos nos formar, queremos fazer os nossos estágios", declarou Danielly Oliveira, integrante da executiva do DCE e estudante de artes cênicas.

Apesar da presença policial e da invasão na quinta-feira, o protesto segue nesta sexta de forma pacífica. Pela manhã, os estudantes realizaram oficinas de kung fu e capoeira. À tarde, organizaram rodas de conversa, enquanto caixas de som tocavam funk, MPB e pop.

Cartazes espalhados pelo prédio trazem frases como "reitoria ocupada", "USP em greve por condições dignas de estudo e trabalho" e "mãe, passei na USP, mas tem larvas na minha comida".

Os universitários tentam restringir o acesso ao prédio apenas a integrantes do movimento estudantil. Um cordão de contenção foi formado e palavras de ordem foram entoadas quando uma ex-aluna contrária ao protesto tentou entrar no edifício. Frases como "não adianta tentar intimidar, nossa greve vai continuar" e "greve geral na educação para barrar a precarização" foram ouvidas durante o ato.