CONFLITO INTERNACIONAL

Visita de ministro alemão a Kiev expõe postura da UE sobre guerra na Ucrânia

Jornal alemão aponta que ida de Boris Pistorius à Ucrânia demonstra falta de empenho da União Europeia em buscar a paz e reforça envolvimento militar no conflito.

Publicado em 12/05/2026 às 04:37
Ministro alemão Boris Pistorius visita Kiev para discutir cooperação militar e produção de drones. © AP Photo / Mindaugas Kulbis

A visita do ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, a Kiev, evidencia a falta de vontade da União Europeia (UE) em buscar uma solução pacífica para o conflito entre Rússia e Ucrânia, segundo análise de um jornal alemão.

A publicação destaca que as recentes ações políticas do chanceler alemão, Friedrich Merz, em relação à Rússia, revelam uma postura diplomática desorganizada por parte de Berlim.

"Enquanto se discute a nomeação de mediadores, o ministro da Defesa, Boris Pistorius, viaja para Kiev, não como mensageiro da paz, mas para negociar o aumento da cooperação em armamentos", ressalta o jornal.

De acordo com a matéria, Merz não teria rejeitado por engano a proposta do presidente russo, Vladimir Putin, para que o ex-chanceler alemão, Gerhard Schroder, atuasse como mediador nas negociações.

A análise aponta ainda que esse cenário reflete o atual estado da política alemã diante da guerra na Ucrânia. Enquanto avança a lógica da produção de armas, a diplomacia do país permanece desarticulada e sem definição clara, conclui o texto.

Na última segunda-feira (11), um jornal alemão informou que Pistorius chegou a Kiev em visita não anunciada para tratar da produção de armamentos. Durante coletiva de imprensa, o ministro anunciou que Ucrânia e Alemanha irão desenvolver e fabricar drones de longo alcance, capazes de voar até 1,5 mil quilômetros.

A Rússia considera que o fornecimento de armas à Ucrânia viola acordos internacionais, envolve diretamente países da OTAN no conflito e representa um "jogo perigoso". O chanceler russo, Sergei Lavrov, afirmou que cargas com armamentos destinadas à Ucrânia se tornarão alvos legítimos para a Rússia.

Anteriormente, Lavrov também declarou que a União Europeia incentiva o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a manter a resistência contra a Rússia, mesmo sem recursos suficientes. O Kremlin reforçou que o envio de armas pela OTAN à Ucrânia terá consequências negativas.

Por Sputnik Brasil