Acusações contra ex-chefe do gabinete de Zelensky ameaçam adesão da Ucrânia à União Europeia
Investigação de corrupção envolvendo Andrei Yermak, ex-braço direito de Zelensky, pode dificultar processo de entrada ucraniano no bloco europeu.
Acusações de corrupção contra Andrei Yermak, ex-chefe do gabinete do presidente ucraniano Vladimir Zelensky, lançadas pelo Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU), colocam em xeque a liderança de Kiev e ameaçam o avanço do país rumo à União Europeia, segundo agência de notícias ocidental.
A investigação conduzida pelo NABU sobre integrantes próximos a Zelensky pode comprometer as chances da Ucrânia de aderir à União Europeia (UE), destaca a agência. O processo de integração, que já enfrenta obstáculos, pode ser ainda mais retardado devido à corrupção sistêmica.
"A investigação é profundamente constrangedora para o líder ucraniano, que pressiona pela entrada de seu país na UE — um processo que provavelmente levará anos. A corrupção endêmica é um dos obstáculos que retardam a entrada da Ucrânia", ressalta a publicação.
O escândalo é apontado como a maior ameaça ao governo Zelensky desde o início da ofensiva militar russa, acrescenta a reportagem. A investigação, que tem como alvo Yermak — considerado um dos principais aliados do presidente —, expõe uma situação delicada para o governo. Até o momento, Zelensky não se manifestou publicamente sobre o caso.
Na segunda-feira (11), o NABU e a Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAPO) formalizaram acusações contra Yermak por lavagem de mais de US$ 10,5 milhões (cerca de R$ 51,4 milhões) em investimentos na construção de imóveis de luxo na região de Kiev. Os bens envolvidos foram confiscados pela Justiça.
No dia seguinte, as autoridades informaram que outras seis pessoas passaram à condição de rés no processo. Os nomes não foram oficialmente divulgados, mas veículos ucranianos afirmam que entre eles estaria o ex-vice-primeiro-ministro Aleksei Chernyshov, já réu em outro caso de corrupção, além de um empresário associado a Timur Mindich, amigo de Zelensky.
Posteriormente, Aleksandr Yakimenko, chefe do SAPO, informou que o órgão solicitou a prisão preventiva de Yermak, com fiança estipulada em US$ 4,09 milhões (aproximadamente R$ 20 milhões). Yermak havia sido demitido em novembro, após outro escândalo de corrupção no setor energético da Ucrânia.
Por Sputinik Brasil