Malvino Salvador: 'Em briga de marido e mulher, a gente mete, sim, a colher', diz ator no SPIW
Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.
O público viveu alguns momentos de tensão e desconforto no início do painel A Violência Não Começa com Um Soco, realizado na tarde desta quarta-feira, 13, no São Paulo Innovation Week, promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos.
Um dos palestrantes, o ator e empresário Malvino Salvador, começou a apresentação que faria ao lado da mulher, a atleta Kyra Gracie, já com um comentário machista: "Kyra está sempre atrasada, é coisa de mulher, né?". Em seguida, criticou a roupa dela e a interrompeu durante sua fala. Kyra tentou retomar a palavra, mas foi novamente interrompida, desta vez de forma agressiva por Malvino, que levantou o tom de voz e foi para cima dela.
A atitude de Malvino era apenas uma encenação, mas foi suficiente para demonstrar aos presentes como a violência contra a mulher começa muito antes de uma agressão física.
Proprietários do Gracie Kore, uma rede de academias de jiu-jitsu com foco em defesa pessoal, Kyra e Malvino destacaram durante a apresentação como costuma funcionar o ciclo de violência dentro de um relacionamento abusivo e os sinais sutis que podem estar presentes desde o início da relação.
"Nenhuma violência contra a mulher começa com um soco. Todo relacionamento começa com amor, mas o homem pode passar a te colocar em situação de inferioridade, restringir seu círculo social e começar a te isolar, depois passa a gritar, te xingar, aumenta a agressividade, quebra suas coisas, até chegar na agressão física e morte", disse a atleta.
Ela destacou que é importante que a mulher esteja atenta a esses sinais iniciais para sair do relacionamento abusivo antes de a violência escalar.
Malvino e Kyra destacaram que é comum, após um episódio de violência (física ou psicológica) o agressor ter uma postura amorosa, pedir desculpas e dizer que vai mudar, mas que o que acontece na maioria das vezes é que as agressões voltam.
"Nesse ciclo de violência, tem a fase de lua de mel depois da violência, em que ele fala que te ama, traz flores, presentes, pede desculpas, mas depois de algumas semanas, dias ou até horas, a agressão volta e vem muito pior", afirmou.
Kyra diz que, se a mulher não estiver atenta a esses sinais para interromper esse ciclo, ela vai criando "dependência emocional e financeira", o que torna a ruptura mais difícil.
Ela e Malvino destacaram que estereótipos reproduzidos desde a infância como associar fraqueza ou vulnerabilidade "a coisa de menininha" já criam, em meninos, desde cedo, as sementes para a violência de gênero.
Kyra, oito vezes campeã mundial de jiu-jitsu, e Malvino, que também é faixa-preta na modalidade, destacaram ainda o treinamento em defesa pessoal como um meio de proteção para mulheres e meninas, mas ressaltaram que, mais importante do que a autodefesa, é cada pessoa se sentir responsável por "inspirar e empoderar" mulheres para sair de relacionamentos abusivos e interferir quando testemunhar casos de violência de gênero. "Em briga de marido e mulher, a gente mete, sim, a colher", disse Malvino.
São Paulo Innovation Week
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.