ELEIÇÕES NO PERU

Promotoria pede prisão de candidato de esquerda após avanço ao 2º turno

Roberto Sánchez, líder do Juntos pelo Peru, é acusado de omitir informações financeiras em campanhas; audiência decisiva será em maio.

Publicado em 14/05/2026 às 01:22
Promotoria peruana pede prisão de Roberto Sánchez, candidato ao 2º turno presidencial. © AP Photo / Guadalupe Pardo

O Ministério Público do Peru solicitou nesta quarta-feira (13) mais de cinco anos de prisão para o candidato presidencial Roberto Sánchez, do partido Juntos pelo Peru, por supostas irregularidades na prestação de contas de recursos utilizados em campanhas eleitorais entre 2018 e 2020.

O pedido foi apresentado no mesmo dia em que Sánchez garantiu vaga no segundo turno das eleições presidenciais peruanas, previsto para junho, após superar por margem estreita o candidato de extrema direita Rafael López Aliaga na disputa pela segunda colocação.

Segundo a acusação, Sánchez teria omitido informações sobre contribuições recebidas pelo partido durante campanhas regionais e municipais. A promotoria aponta inconsistências nos relatórios financeiros apresentados às autoridades eleitorais.

"A Roberto Sánchez é atribuída a autoria dos crimes de falsa declaração em procedimento administrativo e falsificação de informações sobre contribuições e receitas de organizações políticas", afirma o documento apresentado pelos promotores.

O Ministério Público pede pena de cinco anos e quatro meses de prisão ao candidato. Conforme a investigação, mais de US$ 57 mil (cerca de R$ 286,5 mil) em contribuições partidárias não teriam sido declarados ao Escritório Nacional de Processos Eleitorais, órgão responsável pela fiscalização das campanhas no país.

O caso chegou inicialmente à Justiça em janeiro deste ano, mas parte da denúncia foi rejeitada pelos magistrados, que determinaram a reformulação da acusação antes de uma nova análise. O Poder Judiciário marcou para 27 de maio a audiência que definirá se o processo seguirá para julgamento oral ou será arquivado.

Em publicação nas redes sociais, Sánchez negou qualquer irregularidade e afirmou ser alvo de perseguição política. "Durante anos tentaram sustentar uma mentira para me desacreditar politicamente. A Justiça já arquivou as acusações sobre um suposto uso pessoal de recursos econômicos do partido, porque jamais existiu fraude nem apropriação indevida", declarou.

A disputa pela segunda vaga no segundo turno foi marcada por forte equilíbrio entre Sánchez e López Aliaga (12% a 11,9%) durante a apuração, que sofreu atrasos após denúncias de irregularidades na votação do dia 12 de abril.

Com 99,94% das urnas apuradas, a candidata conservadora Keiko Fujimori liderava o primeiro turno, com 17,1% dos votos válidos.

Por Sputnik Brasil