Análise: EUA pressionam África do Sul para enfraquecer o BRICS, mas ação pode ter efeito contrário
Tentativa de exclusão do país africano do G20 pode fortalecer laços com Rússia e China, avaliam especialistas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende excluir a África do Sul da próxima reunião do G20, marcada para novembro, na Flórida. Desde o ano passado, Trump acusa o país africano, sem apresentar provas, de utilizar uma nova lei de reforma agrária para promover perseguição e genocídio contra a minoria branca.
Bruno Mendelski, professor de relações internacionais, ressalta que, além de integrar o G20, a África do Sul é membro fundador do BRICS, possui histórico de combate ao apartheid e atua como uma voz relevante do Sul Global. Mendelski afirma que as denúncias de Trump "não têm respaldo na realidade" e representam uma estratégia contra o "ativismo corajoso da África do Sul", especialmente após o país denunciar, na Corte Internacional de Justiça, o genocídio praticado por Israel contra palestinos na Faixa de Gaza.
De acordo com a especialista em direito internacional Laura Ludovico, o objetivo de Trump é enfraquecer a cooperação dentro do BRICS. Ela observa que países europeus, como a França — que defendeu a participação da África do Sul no fórum —, já percebem que isolar o país pode aproximá-lo ainda mais de potências como Rússia e China.
"Entre negociar com um país que não respeita fóruns multilaterais e países que investem ativamente em seu desenvolvimento, a África do Sul tende a fortalecer laços com a Ásia, não com a Europa", avalia Ludovico.
Por Sputnik Brasil