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Oficinas de drones e robôs viram sensação no SPIW nas periferias

Publicado em 16/05/2026 às 20:30
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O clima é de uma grande festa do conhecimento no CEU Heliópolis neste sábado, 16. Crianças, jovens e adultos se reúnem no Centro Educacional Unificado para participar das palestras, workshops e ativações de um dos Side Events do São Paulo Innovation Week (SPIW), festival de inovação e empreendedorismo promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos.

Em parceria com a Prefeitura de São Paulo, os encontros do SPIW ocorrem também dentro dos CEUs, equipamentos públicos que promovem acesso à cultura, educação e convivência comunitária. A programação ocorre neste fim de semana, dias 16 e 17, em quatro unidades.

Nas áreas externas do espaço, as crianças se divertem e não seguram as gargalhadas enquanto correm atrás do cão robô, imitam passos de dança, tiram fotos e se impressionam com o robô humanoide, sem recato ao participar das atividades e brincadeiras pelas oficinas.

"É importante, primeiramente, a gente trazer essa proposta para a periferia, para lugares mais afastados do centro urbano. A periferia produz muita tecnologia social, então é uma honra estar aqui", destaca André Gustavo, coordenador do projeto Caminhos da Luz, curso de fotografia, animação e light-painting que mescla formação sociocultural, tecnológica e de inclusão digital.

O curso, que incentiva a criatividade em 15 módulos, tem como objetivo, além de abordar os fundamentos e técnicas da fotografia, fazer um intercâmbio entre o artesanal e a inovação. "A proposta pedagógica dessa plataforma é que se tenham 25 aulas em 15 módulos. Conseguimos inscrever 200 alunos e alunas no último período e, dos 50 que se formaram, 25 entregaram trabalhos de conclusão de curso e participaram de uma exposição em andamento no Centro Cultural Olido, no centro da cidade", comemora André.

No CEU Heliópolis, o grupo traz uma ativação em que o público é convidado a tirar fotos e fazer vídeos dentro de uma câmara escura. "A gente está produzindo as fotos com a linguagem do light-painting. Essas fotos serão disponibilizadas para as pessoas que se inscreveram para participar e o SPIW tem tudo a ver com a nossa proposta. Somos um coletivo que está sempre tentando inovar. Estamos no intercâmbio entre o analógico e o digital."

Tanto as crianças quanto os adultos se divertem e se impressionam com o resultado das fotos, mas André regularmente que é um desafio constante fazer com que projetos como este cheguem a zonas periféricas, embora também tenha nascido em uma. “Precisamos de cada vez mais propostas para que a população participe. Necessitamos de uma base mobilizatória.

O sentimento é compartilhado por Luís Labriola, chefe de operações e produtos do estúdio multidisciplinar ARKx, responsável pela instalação Tarsila XR. Nela, o público é convidado a entrar no universo visual de Tarsila do Amaral, utilizando óculos de realidade incluídos para interagir com obras que, muitas vezes, não estão nem mesmo no Brasil.

"Trouxemos para o CEU uma experiência com os óculos Apple Vision Pro, em que você tem uma experiência em alguns quadros marcantes de Tarsila", contextualiza. "É uma forma de democratizar um pouco mais o acesso às obras. Trouxemos uma tecnologia para ajudar a difundir um pouco mais esse artista espetacular com quem tem o privilégio de trabalhar."

Para Labriola, a grande diferença de trazer a proposta imersiva para o CEU é a fila de crianças ansiosas para interagir, mas também ver o quanto o brasileiro está, de fato, interessado nas inovações. "Trabalho com tecnologia há anos, já trabalhei em vários países e sempre tem um brasileiro, em qualquer lugar do mundo, trabalhando com tecnologia. Com isso, nós vemos a mudança de vida real que trabalhar com tecnologia traz para as pessoas. O Brasil tem um potencial absurdo e, muitas vezes, o que falta é oportunidade de conhecer, estimular. Para nós, é um privilégio trazer Tarsila XR para cá."

Quanto às crianças, mesmo com tanta experiência com tecnologia, Labriola se impressiona com a destreza. “A gente tem que ter o cuidado de explicar para eles que é uma experiência que vai envolver algumas coisas motoras, mas é impressionante porque a gente que é mais velho apanha mais”, admite. "Eles aprenderam em dois segundos. No São Paulo Innovation Week, estamos habituados a um público mais empresarial, todo o mundo é um pouco mais sisudo. Aqui a molecada toda adora, então está sendo realmente um grande privilégio."

Essa destreza das crianças também é vista por Eliane, fundadora da Giro Experience, que promove oficinas de drones. Ela destaca que, diante de uma tecnologia recente e, muitas vezes, cara, é inspirador ver o interesse dos mais novos.

“Antes de tudo você vê o brilho nos olhos dos meninos que sempre sonharam em ser piloto de avião, em pilotar drones”, conta. "Muitos parecem que já nasceram com DNA para isso. A ideia era que o escritório fosse para crianças a partir de 12 anos, mas quentes meninos de quatro anos que pilotaram melhor que os próprios pais. O brasileiro se vira nos 30 e é muito bom em tudo o que faz. Quando você dá essa oportunidade, então ninguém segura. Só hoje, aqui, três meninos me procuraram falando que querem trabalhar com drones. E é isso o que eu quero. Todo o tempo que trabalha comigo tem origem peculiar. Se conseguirmos duas levar, três crianças daqui, será incrível."

Para ela, iniciativas como a da SPIW precisam ser comuns. "Precisamos da iniciativa privada junto à iniciativa pública, porque as pessoas querem aprender. A gente vê esse tipo de iniciativa sempre em escolas particulares, é comum. Aqui, infelizmente, não é. Então, com um pouco de boa vontade, podemos fazer isso acontecer."

Tão disputado quanto um escritório de drones era um estúdio de podcast, promovido pelo hub de conteúdo Compasso Coolab, e que encontrou o público para se colocar atrás dos microfones e ter a experiência de apresentar um podcast. A fila de crianças esperando para se revezar e apresentar programas contando sobre suas próprias vivências e falando de seus hobbies foi grande. O pequeno Bernardo, de 6 anos, gostou tanto que foi mais de uma vez.

Para Ale Luppi, sócio-fundador da Compasso Coolab, há um diferencial em participar de um Side Event que não pode ser visto no evento principal da SPIW. "A gente descobre outras coisas, e é muito legal ter contato com a galera daqui da região, dos bairros, para entender como é a dinâmica da cidade fora do glamour dos grandes palcos dos festivais. Para nós, estar aqui é uma grande escola. Sair da zona de conforto, de dentro dos estúdios, é tentar mostrar como a comunicação pode ser usada para coisas positivas e que é possível todo mundo ter voz."

Para o radialista, ver o interesse das crianças foi particularmente renovador. "As crianças estão prontas, com seis, sete anos. São talentos que podem ser lapidados e é maravilhoso descobrir isso. Para a dinâmica da cidade, é necessário o São Paulo Innovation Week promover esses Side Events, porque é muito diferente de outros estados. As pessoas costumam falar periferia, mas são as periferias, no plural. Porque são lugares completamente diferentes, as pessoas não são iguais. Então, o festival precisa estar aqui, e isso deveria valer para todas as outras grandes feiras. Sabemos que São Paulo é business, mas precisamos, sempre, ampliar."