CPI DO BANCO MASTER

CPI do Banco Master emperra por falta de interesse político e pressão do calendário eleitoral

Mesmo com assinaturas suficientes no Congresso, análise do pedido esbarra em desinteresse de líderes e proximidade das eleições.

Por Sputinik Brasil Publicado em 17/05/2026 às 12:54
Falta de interesse político e calendário eleitoral travam CPI do Banco Master no Congresso. © Foto / Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O pedido de instalação da CPI do Banco Master enfrenta obstáculos internos na Câmara dos Deputados, apesar de contar com assinaturas suficientes e múltiplas iniciativas em curso no Congresso.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), declarou que o requerimento para a Comissão Parlamentar de Inquérito será analisado conforme o regimento interno. Motta, porém, não detalhou o procedimento e tem informado a líderes partidários que seguirá a ordem cronológica dos pedidos já protocolados.

O pedido de CPI, apresentado em fevereiro pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB), aguarda despacho de Motta, que ainda precisa analisar outros 15 requerimentos pendentes.

Segundo apuração da mídia brasileira, nos bastidores, parlamentares e técnicos avaliam que o argumento do regimento serve para justificar a falta de interesse político na abertura da comissão. O entendimento majoritário é de que não há ambiente favorável para a investigação.

No Congresso, também tramitam dois pedidos de CPMI sobre o caso, apresentados por Carlos Jordy (PL) e por Heloísa Helena (Rede) e Fernanda Melchionna (PSOL). Outros parlamentares, como Lindbergh Farias (PT) e Carlos Viana (Podemos), continuam coletando assinaturas para novas iniciativas.

O regimento prevê instalação automática de CPMI na primeira sessão do Congresso, mas Davi Alcolumbre (União Brasil) não criou a comissão na sessão que analisou os vetos da dosimetria. Governistas falam em acordo para derrubar os vetos sem instalar a CPMI, o que Alcolumbre e a oposição negam. Lindbergh recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar a criação do colegiado.

No Senado, Eduardo Girão (Novo) e Alessandro Vieira (MDB) também apresentaram pedidos de CPI. Apesar da movimentação, líderes de diferentes partidos admitem que não há viabilidade política para instalar qualquer comissão sobre o Banco Master neste momento.

Parlamentares apontam ainda o calendário eleitoral apertado e o receio de que uma CPI gere efeitos imprevisíveis. Integrantes do Centrão afirmam que uma investigação desse tipo poderia atingir diversos atores do Congresso, reforçando a avaliação de que a comissão não deve avançar.