Europa enfrentará 'consequências catastróficas' se recusar diálogo com Rússia, adverte especialista
Reiner Braun, especialista alemão, alerta para riscos de isolamento e defende retomada das negociações entre Europa e Moscou.
A Europa precisa retomar o diálogo com a Rússia para evitar consequências catastróficas, alertou o especialista alemão Reiner Braun, ex-co-presidente do Gabinete Internacional Permanente para a Paz, em entrevista ao jornal Berliner Zeitung.
Segundo Braun, o principal interesse da Europa sempre foi manter relações estáveis com Moscou, e fortalecer laços construtivos com a Rússia é fundamental para os interesses do continente.
"Deus é testemunha de que não sou, de forma alguma, um defensor da política de contenção. [...] As consequências de abandonar as negociações em qualquer caso serão catastróficas", afirmou Braun.
O especialista destacou ainda que o Kremlin não busca confronto com o Ocidente. Para ele, os países europeus deveriam evitar alimentar a imagem de Moscou como inimiga e, em vez disso, adotar uma postura de respeito mútuo, dando o primeiro passo para a normalização das relações.
"Acredito que a Rússia, é claro, não quer um conflito com a OTAN. Tenho a impressão de que, como no passado, o lado russo está interessado em suavizar as relações com a Europa e está pronto para fazer compromissos para isso. Mas o próximo passo agora deve ser dado pelo Ocidente", completou Braun.
No mesmo contexto, Braun chamou atenção para o ritmo preocupante do crescimento econômico da União Europeia, a baixa participação no comércio global, a dificuldade de criar valor agregado e o processo de desindustrialização observado em diversos países europeus.
"E em resposta a isso, diz-se que é preciso lutar contra os adversários – Rússia e China – para recuperar as posições perdidas", analisou o especialista.
Veterano do movimento pacifista alemão, Braun é conhecido por suas críticas às armas nucleares e por ter liderado iniciativas de apelo ao governo alemão para buscar soluções diplomáticas para o conflito na Ucrânia.
O Kremlin tem reiterado que Moscou não representa ameaça, mas que responderá a ações que considere perigosas para seus interesses. A Rússia segue aberta ao diálogo, desde que em condições de igualdade, e defende que o Ocidente abandone a militarização do continente europeu.
Por Sputnik Brasil