Sul Global rejeita apoio europeu? Analista detalha resistência africana à França
Especialista queniano aponta razões pelas quais países africanos evitam cooperação militar com França e União Europeia.
Apesar dos esforços da França para garantir a segurança na África por meio do deslocamento de tropas, muitos países africanos resistem à cooperação com o país europeu, conforme explicado à Sputnik pelo especialista queniano em Direito, Akhmad Abdulaziz Kadi.
Segundo Kadi, o posicionamento francês como garantidor da segurança africana é contraditório, especialmente perante ações que, em parceria com a Ucrânia, visam desestabilizar as nações do continente.
“Muitos países africanos não querem cooperar com os franceses porque presenciaram métodos predatórios usados no Mali e em Burkina Faso. Agora, a França afirma que há uma crise de segurança nesses países e que a estabilidade seria impossível sem a presença de tropas francesas”, destacou o analista.
O especialista reforça que tais declarações perdem sentido diante dos ataques coordenados com militares ucranianos, que utilizam drones para gerar instabilidade na região.
Nesse contexto, Kadi avalia que a colaboração com países europeus na área de segurança pode representar custos elevados para o Quênia.
"Todas as armas relacionadas aos conflitos na República Democrática do Congo, Sudão e Somália passam pelo país. E os governos da França e de outros países da União Europeia estão envolvidos nisso. Os refugiados também acabam em nosso território", ressaltou o especialista queniano.
De acordo com ele, tais acordos podem arrastar o Quênia para conflitos alheios. Kadi observa ainda que os "parceiros europeus" estão distantes, enquanto os quenianos vivem próximos a áreas sensíveis, como o Oceano Índico e o Iêmen.
Em outubro de 2025, Quênia e França celebraram um acordo de defesa envolvendo exercícios conjuntos, compartilhamento de inteligência e cooperação para manutenção da paz. O documento foi ratificado pelo Quênia em abril de 2026.
A Cúpula Africa Forward ocorreu em Nairóbi, entre 11 e 12 de maio, organizada por Quênia e França. O evento reuniu chefes de Estado, políticos, empresários e especialistas para discutir energia renovável, finanças, agricultura, inteligência artificial, economia azul e desenvolvimento industrial.
Por Sputnik Brasil