INVESTIGAÇÃO INTERNACIONAL

Brasileira investigada pelo FBI é suspeita de desviar joias avaliadas em até R$ 100 milhões

Empresária paranaense Camila Briote teria causado prejuízo milionário a joalheiros no Brasil e nos EUA. FBI e autoridades brasileiras apuram esquema de desvio de peças de luxo.

Publicado em 18/05/2026 às 13:13
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Camila Briote, empresária brasileira natural do Paraná, está sob investigação no Brasil e nos Estados Unidos por suspeita de envolvimento em um esquema milionário de desvio de joias de luxo. Reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, no último domingo (17), apontou que o prejuízo estimado causado às vítimas pode chegar a R$ 100 milhões.

A defesa de Camila nega as acusações e afirma que não há respaldo jurídico para as suspeitas, rechaçando qualquer irregularidade cometida em território brasileiro. Por outro lado, autoridades dos dois países preferem não comentar detalhes das investigações em andamento.

Além do caso das joias, Camila responde no Brasil a outro inquérito por estelionato relacionado à venda de bolsas de grife, com prejuízo estimado superior a R$ 4 milhões.

Com cidadania americana, Camila é investigada por suspeita de estelionato após denúncias envolvendo peças valiosas, como diamantes, ouro e esmeraldas. Antes de se tornar alvo das autoridades, ela frequentava eventos da alta sociedade e chegou a ser destaque em colunas sociais devido a um casamento realizado na Espanha.

Segundo relatos coletados pela reportagem, a empresária atuava como intermediária na comercialização de joias consignadas entre o Brasil e os Estados Unidos. A suspeita é de que Camila retirava peças com joalheiros sob a promessa de revenda internacional e, após conquistar a confiança dos fornecedores, deixava de devolver os produtos ou repassar os valores das vendas.

Uma das vítimas relatou ter perdido cerca de US$ 1,6 milhão em joias desaparecidas e pagamentos não efetuados. Outros empresários também relataram prejuízos semelhantes envolvendo peças de luxo supostamente vendidas ou desviadas.

Ao Fantástico, o advogado Arthur Migliari, representante de algumas vítimas, afirmou que Camila usava sua imagem e facilidade de comunicação para conquistar credibilidade. “É o rosto bonitinho, uma pessoa falante, bem apresentável. Ela consegue a confiança das vítimas e depois vem a segunda parte, que é pegar as joias, que é o grand finale”, declarou.

As investigações apontam para um padrão recorrente no suposto esquema. Camila se apresentava como representante de joalherias renomadas e prometia lucros elevados com negociações internacionais. Com o tempo, os pagamentos deixavam de ser feitos, surgindo justificativas para os atrasos.

Mensagens obtidas no inquérito mostram promessas de transferências bancárias que nunca se concretizavam. As vítimas alegam ainda que a empresária apresentou comprovantes falsificados, cheques sem fundos e vídeos exibindo dinheiro em espécie para tentar convencer credores de que os pagamentos seriam realizados.

A maioria das denúncias está concentrada no sul da Flórida, especialmente em cidades como Miami, Boca Raton e Palm Beach, onde Camila mantém residência. Diante do volume de denúncias e da circulação internacional das peças, o caso passou a ser acompanhado pelo FBI.

De acordo com documentos citados pela reportagem, investigadores americanos descobriram que parte das joias desaparecidas teria sido penhorada em casas de penhor por valores muito abaixo do mercado. Um colar avaliado em cerca de US$ 120 mil teria sido usado como garantia em troca de apenas US$ 6 mil.

As investigações também indicam que o dinheiro obtido com as operações teria sido utilizado para manter um padrão de vida de luxo, frequentemente exibido nas redes sociais. Enquanto os inquéritos avançam, autoridades trabalham para localizar as peças desaparecidas e identificar possíveis novas vítimas do esquema.