ECONOMIA

Fazenda revisa projeção do IPCA para 2026 e prevê inflação no teto da meta

Aumento na previsão de inflação é atribuído aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e alimentos.

Publicado em 18/05/2026 às 14:00
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Ministério da Fazenda elevou a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, passando de 3,7% para 4,5%, atingindo o teto da meta estabelecida para o período. Para 2027, a estimativa também subiu, de 3,0% para 3,5%, superando o centro da meta de 3,0%.

As novas projeções constam no Boletim Macrofiscal, divulgado nesta segunda-feira (18) pela Secretaria de Política Econômica (SPE).

De acordo com a SPE, o aumento na expectativa de inflação reflete, principalmente, os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, que têm pressionado os preços do petróleo e seus derivados. “Contudo, as projeções também consideram que parte do impacto do choque nos preços do petróleo será contrabalançada pelos efeitos do real mais apreciado, e por medidas mitigatórias adotadas pelo governo federal para conter o repasse do aumento dos combustíveis no mercado doméstico”, informa a secretaria. Até o início dos conflitos, o IPCA apontava para uma trajetória de desaceleração da inflação, com convergência para o centro da meta. Desde março, entretanto, o choque na cotação internacional do petróleo passou a pressionar não apenas os preços dos combustíveis, mas também insumos industriais e custos de transporte, com possíveis efeitos sobre a cadeia de alimentos.

Segundo a secretaria, o cenário atual é compatível com uma inflação mais disseminada e persistente ao longo de 2026, justificando a revisão para cima das estimativas.

A revisão incorpora fatores como a elevação do preço do petróleo, a apreciação da taxa de câmbio prevista para 2026, a expectativa de uma Selic mais alta, políticas mitigatórias do governo e resultados recentes do IPCA acima das projeções anteriores.

A previsão já considera bandeira tarifária amarela para a energia elétrica em dezembro. A Fazenda destaca que, diferente de 2025, em 2026 os preços dos alimentos devem deixar de contribuir para a queda da inflação, refletindo fatores estruturais, especialmente ligados ao ciclo do boi, impactando carnes, leite e derivados, além de produtos semielaborados.

Outro fator de risco é a maior probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño na segunda metade do ano, além do prolongamento do choque nos preços dos fertilizantes, o que pode pressionar a inflação de alimentos em 2027, com possíveis efeitos antecipados ainda em 2026.

Para 2027, a inflação também foi revisada para cima, passando de 3,0% para 3,5%, em razão da inércia inflacionária de 2026. “Parte desse movimento deve ser compensado pelos efeitos defasados da política monetária em um patamar mais restritivo e pela taxa de câmbio mais apreciada, conforme a mudança de expectativa para essas variáveis”, conclui a SPE.

Para os anos seguintes, a projeção é de convergência da inflação para a meta de 3,0% em 2028, 2029 e 2030.