Anfavea pede restrição de recursos a importados em novo programa para motoristas de app e táxi
Associação sugere limites para financiamento de veículos importados e reforça necessidade de fortalecer a indústria nacional
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) solicitou ao governo federal que veículos importados fiquem fora do novo programa de financiamento voltado a taxistas e motoristas de aplicativos, cujo lançamento está previsto para esta terça-feira, 19, em São Paulo.
Segundo apuração do Broadcast, o programa contará com R$ 30 bilhões em recursos, oferecendo taxas de juros abaixo da Selic, carência de até seis meses e prazos de financiamento de até 72 meses.
Em ofício encaminhado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Anfavea manifestou preocupação com a possibilidade de veículos importados terem acesso irrestrito às condições vantajosas do programa. A entidade destacou a relevância crescente desses veículos no mercado brasileiro.
Atualmente, de acordo com a associação, os importados representam cerca de 19% dos emplacamentos totais do País e aproximadamente 25% das vendas no varejo, evidenciando aumento constante de participação no mercado nacional.
"Dessa forma, entendemos que a utilização de recursos incentivados em benefício de veículos importados pode representar um precedente sensível sob a ótica do fortalecimento da indústria nacional", afirmou a entidade.
A Anfavea ressaltou que, historicamente, as linhas de crédito incentivadas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foram estruturadas para fortalecer a produção nacional, a cadeia de fornecedores local e a preservação de empregos no setor automotivo brasileiro. A associação lembrou ainda que esse direcionamento esteve presente em programas recentes voltados a caminhões, ônibus e máquinas.
"Recursos do BNDES devem priorizar empresas que gerem valor agregado, emprego, inovação e capacidade produtiva no território nacional, em consonância com os objetivos constitucionais da política de desenvolvimento industrial brasileira", defendeu a Anfavea. "Sem contrapartidas locais claras, há risco de desvirtuamento do acesso ao crédito, com estímulo à importação, redução do efeito multiplicador doméstico, perda de arrecadação futura e enfraquecimento do adensamento produtivo nacional", acrescentou.
Como alternativa, a entidade sugeriu que, caso o governo opte pela manutenção da elegibilidade dos veículos importados, sejam estabelecidos limites específicos para o uso dos recursos destinados a esses veículos.
Por fim, a associação reforçou a importância de que o BNDES e os agentes financeiros estejam "operacionalmente preparados para a implementação célere do programa, de forma a evitar descontinuidade ou paralisação das vendas no mercado durante a fase inicial de implementação".
De modo geral, a Anfavea avalia que a medida tem potencial para impulsionar a atividade econômica e ampliar o acesso à frota. A associação informou ao governo que suas afiliadas recebem a iniciativa de maneira positiva e "certamente avaliarão condições comerciais competitivas e atrativas ao consumidor final".