VATICANO

Primeira encíclica do papa Leão XIV terá foco na inteligência artificial, anuncia Vaticano

Documento 'Magnifica humanitas' será publicado em 25 de maio e abordará a proteção da pessoa humana diante dos avanços tecnológicos.

Publicado em 18/05/2026 às 17:48
Papa Leão XIV © ANSA/EPA

O Vaticano anunciou nesta segunda-feira, 18, que Magnifica humanitas será o título da primeira encíclica do papa Leão XIV, dedicada à "salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial". O documento será publicado em 25 de maio e traz a assinatura do pontífice datada de 15 de maio, data que marca o 135.º aniversário da encíclica Rerum Novarum, promulgada pelo papa Leão XIII.

Tradicionalmente, a data é escolhida por papas para tratar de temas ligados à Doutrina Social da Igreja. Questões sociais, inclusive, são de grande importância para Robert Prevost, atual papa, que adotou o nome Leão em referência a seu antecessor.

Ainda não foram divulgados detalhes do conteúdo da encíclica, mas ela deve seguir a linha das recentes mensagens e iniciativas do pontífice americano. No dia 16 de maio, um dia após a assinatura do documento, foi lançada a Comissão Interdicasterial sobre a IA, com o objetivo de promover o intercâmbio de informações e projetos relacionados ao tema, incluindo políticas de uso da tecnologia dentro da Santa Sé. A iniciativa foi formalizada por meio de um rescrito assinado pelo cardeal Michael Czerny, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, com a aprovação do papa.

A apresentação oficial de Magnifica humanitas ficará a cargo do cardeal Czerny e de Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, além da professora Anna Rowlands, teóloga da Durham University (Reino Unido), de Christopher Olah, cofundador da Anthropic (EUA) e pesquisador em interpretabilidade de IA, e da professora Leocadie Lushombo I.T., especialista em teologia política e pensamento social católico na Jesuit School de Santa Clara (EUA).

No domingo, foi celebrado em diversos países o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2026. Para a ocasião, Leão XIV escreveu uma mensagem sob o lema "Preservar vozes e rostos humanos", na qual reforça a necessidade de manter a centralidade da pessoa diante do avanço de tecnologias cada vez mais poderosas e onipresentes. "Nesta época da inteligência artificial, encorajo todos a se empenharem em promover formas de comunicação que respeitem sempre a verdade do homem, para a qual orientar toda inovação tecnológica", afirmou o papa.

Segundo ele, o desafio não é impedir o progresso digital, mas orientá-lo de maneira adequada, compreendendo inclusive os algoritmos. Leão XIV alerta ainda para o risco de abrir mão do talento humano em favor das máquinas, o que pode comprometer o crescimento pessoal e espiritual. "Isso significa esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz", destacou.

O papa também fez referência ao papel das grandes empresas de tecnologia. "Por trás desta enorme força invisível que a todos envolve está apenas um pequeno grupo de empresas, cujos fundadores foram recentemente apresentados como os criadores da pessoa do ano de 2025, ou seja, os arquitetos da inteligência artificial. Isto suscita uma preocupação importante em relação ao controle oligopolístico dos sistemas algorítmicos e de inteligência artificial capazes de orientar sutilmente comportamentos e até mesmo reescrever a história da humanidade — incluindo a história da Igreja —, muitas vezes sem que possamos ter real consciência disso", alertou Leão XIV.