Bruno Dantas diz que TCU não vê motivos para suspender leilão de reserva de energia
Ministro do TCU afirma que análise sobre possíveis irregularidades no leilão será feita em breve, mas até o momento não há indícios suficientes para suspensão.
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, afirmou nesta segunda-feira (18) que a Corte deverá analisar em breve as regras do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP), realizado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) em março de 2026. Durante evento no Rio de Janeiro, Dantas destacou que os auditores do TCU não identificaram razões suficientes para suspender o leilão.
“Os auditores do TCU não enxergaram razão suficiente para suspender o leilão. Agora nós vamos analisar o mérito e avaliar se houve alguma irregularidade. Não sei se houve, mas, se tiver ocorrido, vamos saber se ela foi suficientemente grave a ponto de justificar a anulação do leilão”, declarou o ministro durante a cerimônia de posse dos novos diretores do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
O leilão, que visa a contratação de energia de usinas termelétricas, tem sido alvo de contestações. Recentemente, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) entrou com uma ação civil pública na Justiça Federal de São Paulo, buscando suspender os efeitos do certame.
No mês passado, o TCU acatou uma representação do Ministério Público junto ao TCU (MPTCU) sobre possíveis irregularidades no leilão, sob relatoria do ministro Jorge Oliveira. A denúncia questiona indícios de irregularidades na definição dos preços-teto.
“Vamos avaliar as regras do leilão muito em breve. Temos confiança na análise da nossa unidade técnica. O TCU desenvolveu talentos e temos tranquilidade sobre uma visão bem fundamentada e imparcial”, reforçou Dantas.
Segundo o ministro, o TCU precisará ponderar a gravidade de eventuais irregularidades e as consequências de uma possível anulação do leilão.
“Eu não sei se houve alguma irregularidade. Ainda que haja irregularidade, o tribunal vai ter que ponderar qual é a gravidade da irregularidade e qual é a gravidade da consequência da anulação. Vamos ter que colocar as duas coisas na balança para avaliar”, explicou.
Contratos
A assinatura dos contratos dos vencedores do certame estava prevista para esta semana. Dantas afirmou não ver prejuízos caso a decisão do TCU seja tomada após a assinatura.
“O TCU pode agir preventivamente, determinando que a homologação não aconteça. Mas pode também, claro, se uma conclusão só for atingida após a homologação, expedir determinações corretivas ou anulatórias”, concluiu.