Conpresp mantém tombamento de prédio icônico em Higienópolis
Conselho rejeita recurso de empresa e preserva edifício da Escola Panamericana de Artes, referência da arquitetura pós-moderna paulistana.
O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) decidiu, nesta segunda-feira (18), manter o tombamento do prédio da Escola Panamericana de Artes e Design, localizado em Higienópolis, região central da capital paulista. A maioria dos conselheiros rejeitou o recurso apresentado pela empresa Keeva Participações, proprietária do imóvel, que pleiteava o destombamento do edifício. Assinado pelo arquiteto Siegbert Zanettini, o prédio é considerado um marco da arquitetura pós-moderna em São Paulo.
A Keeva foi procurada pela reportagem, mas não retornou os contatos até o fechamento desta edição. Em março, representantes da empresa afirmaram ao Estadão que avaliariam recorrer à via judicial caso o recurso não fosse aceito.
O tombamento do prédio da Escola Panamericana foi oficializado em 2024, reconhecendo-o como um ícone da arquitetura pós-moderna paulistana. Segundo o Conpresp, a decisão se baseou na "relevância da edificação como testemunho para a história da técnica e da arquitetura, revelando características importantes da linguagem pós-moderna e do urbanismo paulistano do final do século 20".
O edifício chama atenção pelo formato inusitado e pelo uso de cores vibrantes, como o vermelho, além de possuir estrutura totalmente em aço. Entre as soluções arquitetônicas, destacam-se lajes "cogumelo", treliças e cilindros metálicos que lembram a fuselagem de um avião vista por dentro. O parecer técnico de tombamento ressalta a "estética high tech" do prédio, classificando-o como "um verdadeiro marco da arquitetura e design de São Paulo".
No recurso, a Keeva apresentou parecer do arquiteto Pedro Taddei Neto, que avaliou que o edifício não seria uma obra relevante. Segundo ele, o valor arquitetônico e histórico não seriam inéditos ou excepcionais, "tendo em vista que, datada de 1998, é uma obra tardia da geração das exoestruturas em aço". O parecer também alegou inexistência de evidências sobre o valor afetivo do imóvel para a população paulistana.
Entidades da sociedade civil, como o Movimento Defenda São Paulo, a Associação de Proprietários, Protetores e Usuários de Imóveis Tombados (APPIT) e o Coletivo Pró-Higienópolis, mobilizaram-se para garantir a manutenção da proteção legal ao imóvel. Outro prédio da Panamericana, também projetado por Zanettini e com características semelhantes, localizado na Rua Groenlândia, foi demolido em 2021, apesar de esforços para preservá-lo.
Serraria do Ibirapuera tem votação adiada
Também estava na pauta da sessão do Conpresp o projeto de reforma da Serraria do Parque do Ibirapuera, na zona sul da capital, proposto pela concessionária Urbia. A proposta prevê a construção de um mezanino no galpão e a instalação de uma academia de ginástica. Entidades se opõem à intervenção, alegando que as mudanças podem afetar o conjunto paisagístico de Roberto Burle Marx. A votação foi adiada e ainda não há data definida para sua realização.