TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

Trump afirma ter adiado ataque ao Irã a pedido de líderes do Catar e Arábia Saudita

Presidente dos EUA diz que ofensiva foi suspensa após apelos de aliados e negociações em andamento

Publicado em 18/05/2026 às 18:48
O presidente Donald Trump AP/Julia Demaree Nikhinson

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira, 18, que adiou temporariamente o plano de atacar o Irã, previsto para esta terça-feira, 19. Segundo Trump, a decisão foi tomada a pedido do Catar e da Arábia Saudita, que buscam viabilizar uma nova rodada de negociações.

“Fui solicitado pelo Emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, pelo Príncipe Herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman Al Saud, e pelo Presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, a adiar o nosso planejado ataque militar contra a República Islâmica do Irã, que estava agendado para amanhã”, escreveu Trump em suas redes sociais.

Na publicação, o presidente destacou que “negociações sérias estão em andamento e, na opinião deles, como grandes líderes e aliados, um acordo será firmado, o qual será muito aceitável para os Estados Unidos da América, bem como para todos os países do Oriente Médio e de outras regiões. Este acordo incluirá, e é importante ressaltar, a proibição de armas nucleares para o Irã!”

A mensagem, contudo, terminou com uma nova ameaça:

“Com base no meu respeito pelos líderes mencionados acima, instruí o Secretário da Guerra, Pete Hegseth, o Chefe do Estado-Maior Conjunto, General Daniel Caine, e as Forças Armadas dos Estados Unidos, de que NÃO realizaremos o ataque ao Irã programado para amanhã terça-feira, 19, mas os instruí ainda a estarem preparados para prosseguir com um ataque em grande escala ao Irã, a qualquer momento, caso um acordo aceitável não seja alcançado.”

Em entrevista concedida à revista Fortune antes de sua viagem à China e divulgada nesta segunda-feira, 18, Trump afirmou que o Irã está “morrendo de vontade de assinar um acordo” para encerrar a guerra.

“Posso dizer uma coisa: eles estão morrendo de vontade de assinar um acordo. Mas fecham um acordo e depois enviam um documento que não tem nenhuma relação com o que foi acertado. Eu digo: ‘Vocês estão loucos?’”, acrescentou.

Durante a entrevista, Trump também abordou outros temas, como tarifas comerciais, inteligência artificial e inflação.

No fim da conversa, que durou cerca de uma hora, o presidente foi questionado sobre quem deveria dar continuidade ao seu legado político após o término de seu mandato: seu filho mais velho, Donald Trump Jr.; o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio; ou o vice-presidente dos EUA, JD Vance.

O republicano, no entanto, evitou responder diretamente. “Quem assumir esse cargo vai ser muito importante”, disse. “E, se você escolher a pessoa errada: desastre.”

Horas antes da divulgação da entrevista, Trump voltou às redes sociais para comentar a tensão com o Irã.

“Para o Irã, o tempo está se esgotando, e é melhor eles se mexerem, RÁPIDO, ou não sobrará nada deles”, publicou na Truth Social. “O tempo é essencial.”

Em meio ao conflito, a aprovação de Trump caiu para 37%, o menor índice de seu segundo mandato, segundo pesquisa do The New York Times/Siena realizada entre 11 e 15 de maio.