SAÚDE PÚBLICA

Especialistas analisam riscos de disseminação do ebola e cenário brasileiro

Surto do vírus Bundibugyo na África é classificado como emergência internacional pela OMS; Brasil segue sem casos, mas autoridades reforçam vigilância

Publicado em 18/05/2026 às 19:43
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

No último domingo (17), a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a disseminação do ebola, registrada na República Democrática do Congo e em Uganda, como uma emergência de saúde pública de importância internacional.

De acordo com a OMS, o surto é considerado de alto risco, com 246 casos suspeitos registrados até 16 de maio. Ao menos 80 mortes estão sob investigação, incluindo quatro profissionais de saúde.

Nesta segunda-feira (18), a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) divulgou comunicado expressando preocupação diante da declaração da OMS.

Segundo a SBI, um dos fatores que aumenta o alerta das autoridades sanitárias é a ausência de vacina ou tratamento específico para a cepa Bundibugyo, responsável pelo surto atual.

Além disso, a entidade ressalta que o vírus se propaga em áreas marcadas por conflitos e fragilidade no atendimento à saúde, com alta mobilidade populacional entre países vizinhos, o que pode favorecer a subnotificação de casos e o risco de infecção entre profissionais de saúde.

Emergência internacional não indica pandemia

A SBI esclarece que a classificação de emergência de saúde pública não significa que haja uma pandemia em curso, mas reforça a necessidade de coordenação global, fortalecimento da vigilância epidemiológica e apoio internacional imediato para conter a propagação do ebola.

No comunicado, a entidade destaca a importância da vigilância ativa em portos, aeroportos e serviços de saúde, especialmente para identificar precocemente viajantes vindos de regiões afetadas que apresentem sintomas compatíveis com a doença.

“A entidade também destaca a necessidade de capacitação contínua das equipes de saúde para manejo clínico, uso adequado de equipamentos de proteção individual e protocolos de prevenção e controle de infecções”, informa a SBI.

Brasil segue sem casos registrados

O ebola, causado por um vírus da família Filoviridae, é considerado uma doença grave, com alta taxa de mortalidade. O surto atual tem origem na cepa Bundibugyo, uma variante rara para a qual não existem vacinas ou terapias específicas até o momento.

A infectologista Sumire Sakabe, do Hospital Nove de Julho (Rede Américas), explica que o vírus preocupa as autoridades devido à sua elevada transmissibilidade e letalidade. “A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, principalmente pelo contato com sangue e secreções. Se uma pessoa infectada viajar durante o período de incubação ou enquanto ainda transmite o vírus, há risco de disseminação internacional”, afirma.

Apesar disso, a possibilidade de circulação do ebola no Brasil é considerada teórica e relacionada apenas a viagens internacionais, pois não há registros da doença no país.

“Em surtos anteriores, profissionais de saúde infectados foram repatriados e tratados em isolamento, sem transmitir a doença para outras pessoas”, destaca Sumire.

Segundo a SBI, não há casos de ebola registrados no Brasil atualmente. O risco para a população brasileira é considerado baixo, mas o cenário exige monitoramento constante das autoridades nacionais e internacionais.

Sintomas e prevenção

O ebola é transmitido, principalmente, pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas ou superfícies contaminadas.

Os sintomas mais comuns são febre alta, fraqueza intensa, dores musculares, dor de cabeça, vômitos e diarreia. Em casos graves, podem ocorrer sangramentos. A taxa de mortalidade varia de acordo com a cepa do vírus e a capacidade de resposta dos sistemas de saúde.

O tratamento baseia-se em suporte clínico, hidratação, controle dos sintomas e isolamento do paciente para evitar novas transmissões.

Entre as principais medidas de prevenção estão o uso de equipamentos de proteção individual, higiene frequente das mãos e evitar contato direto com sangue e secreções de pessoas infectadas. O isolamento de casos suspeitos é fundamental para conter a disseminação do vírus.