JORNADA DE TRABALHO

Tarcísio critica fim da escala 6x1 sem considerar impacto para empregadores

Governador de São Paulo alerta para possíveis efeitos negativos de mudanças na jornada sem planejamento e pede diálogo com setor produtivo.

Por Sputinik Brasil Publicado em 18/05/2026 às 20:10
Tarcísio de Freitas defende cautela em mudanças na jornada 6x1 durante evento em São Paulo. © Sputnik / Guilherme Correia

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), destacou nesta segunda-feira (18) a importância de considerar os impactos econômicos para empresas e empregadores no debate sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho.

Durante participação na APAS Show, feira do setor supermercadista realizada em São Paulo, Tarcísio afirmou que não é possível discutir avanços para trabalhadores sem avaliar os custos para quem gera empregos. "Não adianta achar que vai cuidar do trabalhador sem cuidar do empregador", disse o governador, defendendo medidas de desoneração para as empresas.

A proposta que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e prevê o fim da escala 6x1 ganhou força no Congresso Nacional e tornou-se uma das principais pautas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Tarcísio ressaltou que, embora haja consenso sobre a necessidade de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, mudanças sem planejamento podem trazer efeitos negativos, como perda de renda, aumento da informalidade e desemprego.

O governador alertou que trabalhadores com menos horas de expediente podem buscar outras atividades para complementar o orçamento. "Ele vai ter que perder o tempo livre fazendo bico pra garantir o mínimo de renda, e isso é extremamente preocupante", afirmou.

Tarcísio defendeu ainda que o tema seja debatido sem pressa e com participação do setor produtivo, destacando o risco de aumento dos custos para as empresas e redução da proteção social em caso de crescimento da informalidade.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, presente ao evento, afirmou que a discussão sobre a jornada de trabalho já faz parte do cotidiano da população. Segundo ele, o governo pretende buscar diálogo entre empresários e trabalhadores antes de avançar com possíveis mudanças.

Tramitação acelerada na Câmara

Esta semana será decisiva para a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da jornada 6x1. O relator, deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA), deve apresentar na quarta-feira (20) a primeira versão do parecer. Ele se reunirá com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e com o presidente da comissão especial, Alencar Santana (PT), para ajustes finais do texto.

A comissão especial promoverá debates antes e depois da apresentação do parecer, ouvindo sindicatos patronais e centrais trabalhistas. Também estão previstos seminários estaduais em Manaus, Belo Horizonte e Florianópolis, além dos já realizados na Paraíba, São Paulo, Rio Grande do Sul e Maranhão.

Leo Prates pretende votar a PEC na comissão em 26 de maio e levá-la ao plenário no dia 27. A tramitação acelerada reflete a intenção da cúpula da Câmara de aprovar o texto ainda neste mês.