Caso Master expõe desgaste e acirra disputa na direita sem Bolsonaro, apontam analistas
Escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e Banco Master destaca fragilidades e rivalidades na direita às vésperas das eleições de 2026.
O chamado Caso Master trouxe à tona novos desgastes para a direita brasileira e intensificou a disputa por protagonismo no campo conservador, agora sem a liderança direta de Jair Bolsonaro, segundo analistas políticos.
Maio de 2026 tornou-se um dos meses mais turbulentos da política nacional às vésperas das eleições. Logo no início do mês, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva sofreu duas derrotas relevantes no Senado: a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada do veto à Lei da Dosimetria, ambas atribuídas à articulação do presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
Na sequência, a Polícia Federal apontou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) como principal beneficiário de vantagens indevidas do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Dias depois, o senador Flávio Bolsonaro também foi implicado no escândalo, após revelações indicarem que ele teria solicitado recursos a Vorcaro para a produção do filme "Dark Horse". O valor acordado foi de R$ 134 milhões, mas apenas R$ 61 milhões teriam sido pagos.
"Essas novas revelações colocam o holofote do caso Master onde ele sempre deveria estar, que é na direita", afirma o cientista político José Paulo Martins. Ele ressalta que há indícios suspeitos no projeto do filme, como possíveis repasses de recursos provenientes de emendas parlamentares.
Martins destaca ainda que, apesar das pesquisas de intenção de voto indicarem empate entre Flávio Bolsonaro e Lula, a candidatura do senador já era considerada frágil devido a outros escândalos. Para o analista, o áudio envolvendo Vorcaro enfraqueceu a capacidade de articulação política de Flávio, tornando mais difícil a formação de alianças. Ainda assim, ele não descarta completamente a pré-candidatura do senador. "Acho muito difícil que qualquer outra candidatura de direita, seja de Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (PSD-GO) ou Renan Santos (Missão-SP), consiga superar Flávio Bolsonaro, caso ele realmente dispute", avalia Martins.
O cientista político Marcus Ianoni complementa que o escândalo pode acirrar a disputa pelo protagonismo na direita, impulsionada pelo crescimento desse campo político nos últimos anos. "Isso tende a fomentar disputas internas entre lideranças que buscam se apresentar como os principais representantes desse espectro, tanto para o eleitorado quanto para as elites políticas", explica Ianoni. "Sobretudo porque, ao que tudo indica, esse escândalo não é algo pequeno, pelo contrário, é muito sério."
Por Sputnik Brasil