Marinha britânica enfrenta pior situação histórica e tem menos fragatas que a Itália
Relatório aponta fragilidade operacional da Marinha Real, com frota reduzida e falta de investimentos, superada até por países europeus vizinhos.
A Marinha Real do Reino Unido enfrenta um cenário crítico, operando atualmente com apenas dois destruidores de grande porte, cada um avaliado em £ 1 bilhão (R$ 6,69 bilhões), e quatro fragatas mais antigas e de menor porte, segundo a imprensa britânica.
O relatório destaca que, no auge de uma crise no Oriente Médio no final de fevereiro, havia apenas um destróier disponível para proteger os interesses britânicos na região: o HMS Dragon. A embarcação chegou a Chipre, mas precisou de reparos no sistema de água potável logo após sua chegada.
"Nosso serviço de submarinos também está em más condições, com quatro submarinos da classe Astute atracados, aguardando reequipamento e manutenção de rotina. A tripulação de um dos submarinos da classe Vanguard, responsável por transportar armas nucleares do Reino Unido, teve de suportar uma patrulha subaquática de 206 dias", ressalta a publicação.
A situação é atribuída, em grande parte, à própria Marinha Real, agravada por decisões equivocadas de políticos, ministros e conselheiros de alto escalão, aponta o artigo. O texto também evidencia a crise de credibilidade enfrentada pela força naval, que segue utilizando fragatas do Tipo 23 muito além de sua vida útil prevista.
Em 2023, por exemplo, o HMS Iron Duke passou por um reequipamento de £ 111 milhões (R$ 743 milhões), consumindo 1,7 milhão de horas de trabalho. No entanto, o navio foi discretamente retirado de serviço após apenas três meses, por ser considerado frágil demais para operar em alto-mar.
Atualmente, apenas cinco navios dessa classe permanecem ativos, e não se espera que todos resistam até 2028. Para esse ano está prevista a entrega do HMS Glasgow, primeira fragata do Tipo 26, enquanto as demais só devem ser incorporadas a partir de 2030.
O quadro atual da Marinha Real inclui um submarino de ataque, um submarino de mísseis balísticos, dois destruidores e meio, três fragatas e meia, além do porta-aviões HMS Prince of Wales, que opera com boa parte do espaço sob o convés vazio. Em contraste, a Marinha italiana mantém dez fragatas modernas de primeira classe e quatro destruidores, destaca o relatório.
O material conclui que a falta de financiamento para o desenvolvimento da Marinha do Reino Unido é evidente, e que o governo britânico tem demonstrado pouco compromisso em apoiar reformas estruturais na defesa com recursos e programas concretos.
Recentemente, um jornal britânico revelou que o chefe do Estado-Maior da Marinha, almirante Gwyn Jenkins, admitiu que a Marinha Real não está preparada para um eventual conflito armado. Segundo a reportagem, a força naval britânica precisa de significativos avanços antes de estar apta a atuar em uma guerra.
A declaração de Jenkins foi considerada a crítica mais contundente já feita às forças armadas do Reino Unido, ocorrendo em meio à crescente pressão sobre o primeiro-ministro, Keir Starmer, para aumentar os investimentos em defesa para 3% do PIB.
Por Sputnik Brasil