Política monetária mostra eficácia no controle da inflação, avalia diretor do Banco Central
Nilton David destaca que, apesar do aumento do crédito e de medidas fiscais, o BC conseguiu reduzir a inflação e alinhar expectativas do mercado.
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou nesta terça-feira (19) que a política monetária foi eficaz em conter a inflação e as expectativas futuras, mesmo diante do impulso do crédito nos últimos meses.
Nilton destacou o aumento do crédito ao longo dos 12 a 18 meses anteriores ao momento atual. Ele também mencionou a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil, ressaltando que o mercado demonstrava preocupação com a possibilidade de essa medida gerar um impulso adicional na economia e dificultar o controle da inflação pelo BC. As declarações foram feitas durante conferência organizada pelo Santander.
Segundo o diretor, a avaliação do mercado era de que a ampliação da faixa de isenção do IR representaria um estímulo entre R$ 30 e R$ 35 bilhões por ano. Já os dados anteriores de crédito apontaram um impulso médio de R$ 25 bilhões por mês. "Isso mostra a dimensão do impulso", afirmou Nilton.
Apesar desse cenário observado entre o segundo semestre de 2024 e o fim de 2025, Nilton David ressaltou que a política monetária conseguiu enfrentar o desafio. "Não apenas lidou, mas trouxe a inflação de níveis próximos de 5% para algo em torno de 3,8% no acumulado em 12 meses, segundo o último dado antes do início do conflito no Irã", pontuou.
O diretor também observou que a capacidade de expansão do crédito não deve avançar no mesmo ritmo dos períodos anteriores, devido a uma série de medidas econômicas pontuais em curso. Ele reconheceu que, embora essas ações tenham tornado a economia mais sensível aos juros e à política monetária, o processo de mudança no patamar de independência financeira das famílias ampliou efetivamente a renda disponível para o consumo.
"Não surpreende que, apesar das condições monetárias restritivas, tenhamos observado um crescimento muito acima das expectativas ano após ano, até o ano passado", afirmou Nilton. "Esse é, em grande medida, o cenário em que nos encontramos atualmente", concluiu.