ECONOMIA

Monitor do PIB aponta queda de 0,6% em março, diz FGV

Apesar do recuo mensal, economia brasileira cresceu 0,9% no primeiro trimestre de 2026, segundo o Ibre/FGV

Publicado em 19/05/2026 às 10:55
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou queda de 0,6% em março na comparação com fevereiro, de acordo com o Monitor do PIB, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Na comparação com março de 2025, o PIB apresentou crescimento de 2,5% em março de 2026. Já no acumulado do primeiro trimestre deste ano, houve alta de 0,9% em relação ao quarto trimestre de 2025.

Em relação ao mesmo período do ano passado, o PIB avançou 1,5% no primeiro trimestre de 2026. No acumulado de 12 meses até março, a expansão foi de 1,9%.

Desempenho por setores

Segundo Juliana Trece, coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre/FGV, “o crescimento de 0,9% do PIB foi disseminado entre as atividades. Além da contribuição positiva das três grandes áreas econômicas (agropecuária, indústria e serviços), na análise mais detalhada, em doze atividades, a maioria apresentou crescimento, sendo os transportes a única exceção”.

O Monitor do PIB antecipa tendências do principal índice da economia nacional utilizando as mesmas fontes de dados e metodologia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial das Contas Nacionais.

Ótica da demanda

Pela ótica da demanda, o desempenho também foi considerado positivo, com destaque para o consumo e os investimentos (formação bruta de capital fixo). Apenas as exportações apresentaram queda. “Após três trimestres consecutivos de crescimentos modestos, próximos à estabilidade, a economia voltou a crescer mais fortemente no primeiro trimestre de 2026, mesmo diante do contexto externo conturbado pelo avanço dos conflitos no Oriente Médio”, destacou Trece.

No primeiro trimestre de 2026, o consumo das famílias cresceu 1,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, “sinalizando um maior ritmo de contribuição desse componente para o desempenho da economia”. O relatório do Monitor do PIB aponta que todos os componentes do consumo tiveram impacto positivo, com destaque para os serviços e produtos duráveis.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede os investimentos, subiu 0,9% no trimestre frente ao mesmo intervalo de 2025. “O segmento da construção e de outros produtos da FBCF avançaram e explicam o resultado positivo. Embora o segmento de máquinas e equipamentos tenha retraído, a redução nas quedas ao longo dos trimestres móveis também foi importante para mitigar o impacto negativo”, informou a FGV.

Exportações e importações

As exportações cresceram 6,5%, com destaque para o setor extrativo mineral, especialmente petróleo. No entanto, houve retração nos bens intermediários e produtos da agropecuária.

As importações, por sua vez, caíram 1,3% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, registrando o segundo trimestre consecutivo de resultado negativo. As importações de bens de consumo subiram, com impacto positivo de 3,0 pontos percentuais, mas as de bens intermediários influenciaram negativamente em 4,4 pontos percentuais. Também houve queda nas importações de produtos agropecuários, extrativa mineral e bens de capital.

PIB em valores correntes

O PIB brasileiro alcançou R$ 3,443 trilhões no primeiro trimestre de 2026, em valores correntes. A taxa de investimento da economia foi de 19,1% no período.