Cautela global com guerra e cenário político interno jogam Ibovespa para baixo
Tensões no Oriente Médio e pesquisa eleitoral no Brasil pressionam o principal índice da Bolsa
O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira (19), acompanhando o movimento negativo das bolsas de Nova York. O clima de cautela é alimentado pelos desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã. Apesar de uma declaração do presidente norte-americano, Donald Trump, sinalizando possível adiamento de um ataque ao Irã, o mercado permanece cético quanto a um acordo capaz de reduzir as tensões.
No cenário interno, o foco recai sobre a política, após a divulgação da pesquisa Atlas/Bloomberg, que já reflete os impactos do chamado "Flávio Day 2.0", em um dia de agenda esvaziada de indicadores econômicos no Brasil e no exterior.
Pela manhã, em eventos distintos, falaram o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o diretor de Política Monetária, Nilton Davi. Também estão previstos discursos de autoridades do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos.
Com a perspectiva de um acordo entre EUA e Irã, o preço do petróleo recua, mas o Brent ainda é negociado a US$ 100 por barril, o que reforça preocupações com a inflação e a política monetária global. Há relatos de que o Irã estuda reabrir o Estreito de Ormuz, porém sem permitir a passagem de navios dos Estados Unidos, Israel e de países aliados na guerra.
Segundo Antonio Madeira, economista da 4Intelligence, enquanto o Estreito não for totalmente liberado, o mercado tende a permanecer defensivo, com possíveis melhoras pontuais dependendo das notícias sobre o conflito no Oriente Médio. "O quadro externo segue indefinido. O petróleo neste patamar pressiona a inflação, o que resulta em alta dos juros. Ou seja, a oferta de petróleo continua comprometida", explica.
O minério de ferro registrou queda de 0,87% em Dalian, enquanto as bolsas de Nova York recuam até 1,43% (Nasdaq), refletindo incertezas sobre a política monetária dos EUA diante do choque energético. Por outro lado, as bolsas europeias apresentam alta.
No campo político, investidores analisam a pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada hoje. As intenções de voto do senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) caíram 5,4 pontos percentuais no primeiro turno e 6 pontos em um eventual segundo turno após a divulgação de um áudio em que pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro. Com isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a liderar a disputa contra Flávio no segundo turno e ampliou sua vantagem no primeiro. "Flávio ainda é a opção da oposição", avalia Madeira.
Às 11h21, o Ibovespa recuava 1,07%, aos 175.073,37 pontos, após atingir mínima de 173.543,76 pontos (-1,94%) e máxima de 176.973,24 pontos na abertura. Na véspera, o índice fechou em baixa de 0,17%, aos 176.975,82 pontos.
Entre as ações de maior peso, Petrobras caía até 0,75% (PN) e Vale perdia 1,93%. No setor bancário, o maior recuo era de 1,46% (Unit do BTG), enquanto o menor era de 0,19%. Itaú cedia 0,83% e Bradesco variava entre -0,91% (PN) e -0,85% (ON).