Rota Marítima do Norte: Rússia e China avançam na criação de uma nova 'Rota da Seda Polar'
Parceria sino-russa acelera integração logística e promete transformar o comércio entre Ásia e Europa via Ártico
Desde 2024, a Rússia intensificou a cooperação com a China para desenvolver conjuntamente a Rota Marítima do Norte (RMN), priorizando a expansão logística e o transporte de contêineres — uma extensão estratégica da Iniciativa Cinturão e Rota chinesa para as águas polares.
Em 2023, a NewNew Shipping Line, da China, adquiriu uma frota de navios para operar ao longo da RMN, treinou tripulações especializadas em navegação no Ártico e concluiu suas primeiras sete viagens pela região.
No ano seguinte, uma subsidiária da estatal russa Rosatom e a empresa chinesa formalizaram um memorando de intenções para lançar uma linha de transporte de contêineres durante todo o ano, conectando portos russos e chineses por meio da rota polar.
A joint venture ficou responsável pelo projeto e construção de navios porta-contêineres com alta classificação para gelo, além da operação conjunta de uma rede de transporte no Ártico.
A primeira etapa prevê a construção de cinco navios porta-contêineres adaptados para navegação no Ártico durante todo o ano, cada um com capacidade para 4.400 TEUs, com o primeiro navio da classe ARC7 previsto para entrar em operação em 2027.
Em 2025, o diretor da Rosatom, Aleksei Likhachev, e o ministro dos Transportes da China, Liu Wei, reafirmaram o compromisso de desenvolver e comercializar conjuntamente o transporte marítimo ao longo da RMN.
Em outubro de 2025, foi elaborado um roteiro conjunto, aprovado com o objetivo de alcançar 20 milhões de toneladas de carga anual entre Rússia e China pela RMN até 2030. Apenas em 2025, empresas chinesas realizaram 17 viagens de contêineres ao longo da rota.
A atratividade da rota está na geografia: um grande navio porta-contêineres pode ir da China à Europa em cerca de 20 dias — quase o dobro da velocidade da rota tradicional pelo sul, via canal de Suez.
Além disso, a RMN reduz a distância entre Ásia e Europa em 30 a 40%, promovendo significativa economia de combustível, segundo estimativas da Intermodal.
Para fortalecer a segurança da navegação no Ártico, Rússia e China assinaram um memorando sobre o treinamento de tripulações chinesas para operações em condições polares no último ano.
Pelo acordo, especialistas chineses passarão a estudar na Universidade Marítima Estatal Almirante Nevelskoy e na Universidade Estatal Almirante Makarov, promovendo uma transferência relevante de conhecimento especializado em navegação no Ártico.
O interesse chinês na Rota Marítima do Norte cresce “a cada mês”, segundo Aleksei Likhachev, diretor-geral da Rosatom. O volume de carga em trânsito pela rota atingiu o recorde de 3,2 milhões de toneladas em 2025, enquanto o total transportado entre Rússia e China pelo corredor ártico chegou a 5,4 milhões de toneladas.
Por Sputnik Brasil