TCU aponta desalinhamento entre dividendos, dívida e investimentos da Petrobras em 2024
Tribunal de Contas da União identifica prioridade a dividendos e amortização de dívidas acima do planejado, com investimentos aquém das metas.
O Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu nesta terça-feira, 19, que a Petrobras executou, em 2024, uma política financeira desalinhada de seu próprio planejamento estratégico. Segundo o órgão, houve pagamento de dividendos e amortização de dívidas acima do previsto, enquanto os investimentos ficaram abaixo das metas estabelecidas pela companhia.
O plenário do TCU destacou que os dividendos pagos pela estatal ficaram 88% acima do estimado no plano estratégico, e os pagamentos de dívidas superaram as projeções em 49%. Em contrapartida, os investimentos (capex) foram 39% inferiores ao planejado.
"Constatou-se que os fluxos de caixa realizados apresentaram variações expressivas em relação ao planejamento inicial. Assim, o pagamento de dívidas foi 49% superior ao previsto, os dividendos ficaram 88% acima do estimado, enquanto os investimentos foram 39% inferiores ao planejado. Essa execução não esteve alinhada ao plano estratégico nem ao guidance da companhia, uma vez que os investimentos, que deveriam ser prioridade, acabaram sendo o menor fluxo realizado", afirmou o ministro relator, Augusto Nardes, no acórdão.
De acordo com o tribunal, houve uma "inversão de prioridades" na execução financeira da Petrobras, já que o plano estratégico previa destinar a maior parte da geração de caixa para investimentos.
"Essa inversão na execução não apenas fragiliza o cumprimento das metas estratégicas, como também sugere ausência de ajustes tempestivos ao longo do exercício", ressaltou o acórdão.
O ministro Augusto Nardes também apontou, em seu voto, sinais de deterioração nos indicadores financeiros e operacionais da companhia, com aumento da alavancagem e queda da rentabilidade.
O TCU observou que a dívida bruta da Petrobras voltou a crescer nos últimos anos, alcançando US$ 64,7 bilhões no primeiro trimestre de 2025, impulsionada principalmente pelo aumento dos arrendamentos de plataformas e navios.
O tribunal destacou ainda a tendência de queda em indicadores como margem Ebitda e retorno sobre capital empregado (Roce), além de maior custo de dívida e alavancagem em comparação com grandes petroleiras internacionais, como BP, Shell e ExxonMobil.
Apesar das constatações, o TCU não aplicou sanções à companhia. O acórdão traz recomendações para aprimorar a governança financeira da estatal.
Entre as medidas sugeridas, o TCU recomenda que a Petrobras estabeleça limites formais de tolerância para variações em dividendos, investimentos e endividamento, além da criação de planos de contingência para situações de desvio relevante em relação ao plano estratégico.