CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

'Essa também é uma guerra das big techs', afirma especialista sobre conflito no Irã

Consultor aponta impacto econômico da guerra no Golfo sobre investimentos em inteligência artificial e o papel das big techs no cenário global.

Publicado em 19/05/2026 às 22:29
Especialista destaca o papel das big techs no contexto do conflito no Irã e seus impactos globais. © telegram SputnikBrasil

O conflito no Irã e a possibilidade de fechamento do estreito de Ormuz têm impactos que vão além da geopolítica e do petróleo. Segundo Caio Almendra, consultor de inovação e cofundador do Instituto Brasileiro de Ciência de Dados (Bi0s), a escalada de tensões pode inflar — e até precipitar o estouro — da bolha da inteligência artificial.

Em entrevista à Sputnik Brasil, Almendra explica que o atual modelo de negócios das IAs ainda não atingiu rentabilidade proporcional ao volume de recursos investidos. “O setor se sustenta, no curto prazo, por um fluxo contínuo de investimentos que cobre prejuízos operacionais e financia a expansão de infraestrutura, como data centers e poder computacional”, afirma.

O especialista destaca que, na origem, países do Golfo, com pouca população e grandes volumes de petróleo exportado, geram excedentes comerciais e energéticos que acabam sustentando empresas de tecnologia ainda sem lucratividade consolidada.

Nesse contexto de guerra, governos e fundos soberanos poderiam vender ações e retirar investimentos para recompor perdas locais causadas pelo conflito. Isso poderia afetar diretamente as empresas envolvidas no desenvolvimento de novos modelos de IA.

Questionado sobre a possibilidade de as big techs pressionarem pelo fim dos conflitos no Oriente Médio para evitar a retração dos investimentos árabes, Almendra pondera que a relação entre o setor tecnológico e a máquina de guerra norte-americana torna o debate mais complexo. “Existe uma imbricação muito grande entre a máquina de guerra americana e essas big techs. A gente não pode achar que elas não fazem parte. Essa é também uma guerra das big techs”, resume Almendra.

Por Sputnik Brasil