MERCADO FINANCEIRO

Ibovespa avança com alívio externo após forte saída de capital estrangeiro

Reabertura parcial do Estreito de Ormuz melhora o humor global, enquanto setor de metais se destaca e petróleo recua

Publicado em 20/05/2026 às 11:59
ibovespa ações Depositphotos Foto: https://depositphotos.com/

O ambiente internacional mais estável, impulsionado pela reabertura parcial do Estreito de Ormuz, contribui para o desempenho positivo do Ibovespa nesta terça-feira. O principal índice da B3 opera em alta desde o início do pregão, com quase todas as 79 ações da carteira teórica registrando valorização, em movimento de recuperação após as perdas da véspera.

Apesar do otimismo, a queda do petróleo no exterior limita os ganhos do índice, refletida no recuo das ações do setor petroleiro, especialmente Petrobras PN (-1,63%) e ON (-1,82%). Em contrapartida, o avanço de 0,91% do minério de ferro em Dalian, na China, impulsiona os papéis do setor de metais, como Vale (+0,63%).

"O principal fator de curto prazo é a reabertura total do Estreito de Ormuz", avalia Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos. Segundo ele, o mercado também aguarda o balanço da Nvidia, que pode animar os investidores. Já a ata do Federal Reserve (Fed) tende a ter impacto limitado, diante da iminente mudança na presidência do banco central norte-americano, com a posse de Kevin Warsh prevista para sexta-feira.

No cenário doméstico, a agenda de indicadores está esvaziada nesta terça-feira. No exterior, a expectativa gira em torno da divulgação da ata do Fed à tarde e dos resultados da Nvidia, após o fechamento dos mercados.

O noticiário político brasileiro segue no radar dos investidores, especialmente após pesquisas eleitorais indicarem enfraquecimento nas intenções de voto do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em meio à divulgação de gravação envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

Pela manhã, o petróleo registrava queda entre 4,11% (Brent, a US$ 106,85 o barril) e 3,74% (WTI, a US$ 100,31), em função da reabertura parcial do Estreito de Ormuz. O movimento contribui para o clima mais favorável nos mercados internacionais. Dois superpetroleiros chineses deixaram a rota marítima nesta quarta-feira, enquanto um terceiro, de bandeira sul-coreana, seguia em direção à saída após mais de dois meses parado no Golfo. Essas embarcações estão entre as poucas que deixaram a região este mês, por uma rota definida pelo Irã.

A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou que 26 embarcações comerciais atravessaram o estreito nas últimas 24 horas, sob coordenação e proteção da força naval iraniana, em meio ao aumento das tensões regionais e à preocupação do mercado com a segurança da principal rota global de petróleo.

"Um ambiente externo menos adverso pode favorecer a recuperação dos ativos domésticos", avalia uma consultoria de mercado.

Na segunda-feira, as incertezas em torno do conflito entre EUA e Irã e os riscos políticos pressionaram o Ibovespa, que fechou em queda pela terceira sessão consecutiva, recuando 1,52% e encerrando aos 174.278,86 pontos.

A desvalorização do índice tem sido influenciada principalmente pela saída de investidores estrangeiros. Na última sexta-feira, foram retirados R$ 2,473 bilhões da Bolsa, a maior saída registrada em 2026. Na segunda-feira, a retirada foi de R$ 891,857 milhões. Apesar disso, o saldo acumulado no ano permanece positivo, em R$ 46,011 bilhões.

Às 11h34, o Ibovespa avançava 1,64%, aos 177.166,35 pontos, após máxima de 1,83% (177.470,45 pontos) e abertura estável em 174.279,39 pontos, próximo ao piso do dia.