JUSTIÇA

Procurador-geral manda reabrir investigação sobre morte de senegalês

Justiça, Ngange Mbaye, ambulante senegalês, Morte, Polícia Militar

Publicado em 20/05/2026 às 16:25

O procurador-geral da Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio da Costa, determinou a reabertura da investigação sobre a morte do ambulante senegalês e refugiado Ngange Mbaye , morto por um policial militar após uma operação realizada na região do Brás, no centro da capital paulista, em abril do ano passado.

O caso foi arquivado pela Justiça em fevereiro deste ano, após pedido do próprio Ministério Público . Na manifestação em que pede o arquivamento, o promotor Lucas de Mello Schaefer sustentou que o policial “agiu em defesa legítima”.

Notícias relacionadas:

"Embora Ngagne Mbaye fosse estrangeiro, não parece minimamente razoável, em qualquer lugar do mundo, que uma pessoa em poder de um instrumento contundente, tal como uma barra de ferro, possa agredir outra pessoa desferindo repetidos golpes, com emprego de força, na região da cabeça e do tronco. Quando estes golpes se voltam contra agentes de segurança do Estado, que estão no legítimo exercício de suas funções, esta atitude é ainda mais grave e reprovável", escreveu o promotor da ocasião.

Mbaye foi atingido por um tiro no abdômen durante uma abordagem policial enquanto tentava proteger suas mercadorias e também de um outro ambulante. Segundo boletim de ocorrência feito à época, Ngange teria resistido à apreensão de suas mercadorias e utilizada uma barra de ferro, que acabou atingindo um policial. Em seguida, o policial atirou contra Mbaye.

Repercussão

Vídeos que mostraram a abordagem policial e o momento do disparo ganharam as redes sociais gerando muita repercussão à época. Houve protestos contra a violência policial e diversas manifestações, inclusive internacionais.

O ministro de Integração Africana e Negócios Estrangeiros do Senegal, Yassine Fall, chegou um pedido de resposta ao governo brasileiro sobre a morte do ambulante. Em comunicado à imprensa, ela afirmou que buscaria, junto à representação diplomática, meios “para elucidar as circunstâncias dessa morte trágica”.

Já a ONG Horizon Sans Frontières, que acompanha casos de migração e violência, disse que a morte de Mbaye foi “um novo crime cometido contra um cidadão senegalês no Brasil” e chegou a indicar o país como uma “zona de violência endêmica”.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania solicita à Corregedoria da Polícia Militar, ao Ministério Público e à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo a realização de uma “apuração rigorosa dos fatos, com especial atenção às situações que levaram à morte de Ngange Mbaye, bem como a adoção de medidas que garantem a responsabilização dos envolvidos e a prevenção de futuras ocorrências semelhantes”.

Entidades do movimento negro também denunciaram o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos.

s/Delegada

A morte de Mbaye ocorreu durante uma ação da Operação Delegada, um convênio firmado entre a prefeitura paulistana e o governo de São Paulo que permite a atuação de policiais militares de folga na fiscalização do comércio ambulante.