iFood processa Keeta sob acusação de espionagem empresarial e concorrência desleal
Empresa brasileira pede indenização de R$ 1 milhão e acusa concorrente chinesa de obter informações confidenciais por meio de consultorias.
Em mais um capítulo da disputa judicial entre plataformas de entrega, o iFood entrou com uma ação na Justiça de São Paulo contra a Keeta e sua controladora, a chinesa Meituan. A empresa brasileira acusa as concorrentes de práticas de concorrência desleal, motivadas por espionagem empresarial.
No processo, o iFood alega que, por meio de ofertas de empresas de consultoria — nacionais e estrangeiras —, a Keeta e a Meituan buscaram obter, “mediante pagamentos expressivos”, informações estratégicas, sensíveis e negativas sobre os negócios do iFood. Segundo a ação, mais de 30 empresas de consultoria foram “assediadas” cerca de 140 funcionários, oferecendo “conversas remuneradas” sobre o mercado de entrega.
Procurada, a Keeta nega as acusações e afirma não ter sido notificada oficialmente.
O iFood sustenta que a maioria dessas consultorias teria ligação com a China e que as abordagens ocorreram durante a preparação da entrada da Keeta no mercado brasileiro. A empresa brasileira afirma, ainda, ter obtido documentos que evidenciam reuniões remuneradas envolvendo um funcionário, além de registros de pessoas com e-mails vinculados à Meituan.
No processo, o iFood argumenta que oferecer pagamentos a funcionários-chave de um concorrente em troca de informações estratégicas não é uma prática habitual de mercado, caracterizando crime de concorrência desleal, conforme o artigo 195 da Lei de Propriedade Industrial (LPI).
Diante disso, a empresa pede a notificação da Keeta por concorrência desleal e indenização por danos morais no valor de R$ 1 milhão, além de danos materiais a serem calculados após a resolução de eventual sentença.
A Keeta, por sua vez, afirma que não contrata terceiros para abordar indivíduos em seu nome para os fins alegados pelo iFood. “A Keeta segue rigorosamente a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e possui políticas internacionais robustas e transparentes quanto ao uso de dados”, diz a empresa.
A plataforma chinesa acrescenta que a Polícia Civil abriu investigação sobre denúncias de ataques coordenados de espionagem contra Keeta e restaurantes em Santos, após o lançamento da operação na cidade.
Segundo a Keeta, pelo menos oito restaurantes locais foram investigados por indivíduos que se apresentaram como supostos funcionários da empresa, utilizando credenciais falsas para obter dados dos estabelecimentos — incluindo pedidos aceitos e despachados, informações financeiras (métodos de pagamento dos consumidores, práticas de pagamentos de entregadores, taxas de comissão e modelos de contratação), processos de integração e treinamento, listas e instruções dos consumidores, além de outros dados protegidos.
“A Keeta reitera o seu total compromisso com um ambiente de concorrência livre e justo, baseado nas melhores práticas de mercado, e se coloca à disposição para cooperar com as autoridades sempre que necessário”, conclui a empresa em nota.
Em comunicado, o iFood afirma que continuará a identificar as empresas envolvidas para promover um ambiente ético e de respeito às leis no ecossistema de entrega brasileiro.