Suspeito de agiotagem é preso em Penedo com quase 200 cartões de crédito retidos
Operação da Polícia Civil de Alagoas flagrou esquema que exigia documentos pessoais de vítimas como garantia de pagamento para empréstimos ilegais
Uma operação deflagrada pela Polícia Civil de Alagoas na última quarta-feira (20) resultou na prisão em flagrante de um homem suspeito de chefiar um esquema de agiotagem no município de Penedo, no Baixo São Francisco alagoano. A ação policial revelou um volumoso arsenal de documentos retidos de forma ilícita, além de cartões magnéticos e munições que estavam guardados na residência do investigado.
De acordo com o histórico das investigações, o homem utilizava um modus operandi baseado na vulnerabilidade financeira das vítimas. Ele oferecia linhas de crédito informais e, em contrapartida, exigia a entrega de documentos de identidade e cartões bancários como uma espécie de "caução" forçada para assegurar a quitação das parcelas e a aplicação de juros abusivos.
Caderno do Controle e Apreensões
Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão no imóvel, as equipes policiais localizaram um caderno com anotações manuscritas que detalhavam nomes, valores e prazos, caracterizando o controle contábil dos supostos devedores do esquema ilegal. O volume de material apreendido impressionou os agentes pela dimensão da atividade na localidade.
Ao todo, o balanço final da polícia listou os seguintes itens apreendidos na residência do suspeito:
191 cartões de crédito e débito de diferentes titulares e instituições financeiras;
Centenas de documentos pessoais originais (como RGs e CPFs) pertencentes às vítimas;
Munições de arma de fogo de calibres não especificados;
Quantia em dinheiro em espécie (montante mantido sob sigilo para a continuidade das investigações).
Enquadramento Legal
O investigado foi conduzido imediatamente à sede da Delegacia Regional de Penedo. Na unidade policial, ele foi formalmente autuado pelo crime de usura pecuniária — popularmente conhecido como agiotagem —, previsto na Lei nº 1.521/51, que pune práticas que atentam contra a economia popular.
Caso seja condenado pelo Poder Judiciário, o homem poderá enfrentar uma pena que varia de seis meses a dois anos de detenção, além do pagamento de multas estipuladas conforme o volume da atividade criminosa apurada no inquérito. Os cartões e documentos recolhidos passarão por triagem para que as vítimas sejam identificadas e convocadas a prestar novos depoimentos.