OPERAÇÃO VÉRNIX

Deolane se recusa a fornecer senha de celulares à polícia

Advogada e influenciadora, presa sob suspeita de lavagem de dinheiro, não autorizou acesso aos aparelhos apreendidos em sua residência.

Publicado em 22/05/2026 às 14:45
Deolane Bezerra Instagram - @dra.deolanebezerra

Deolane Bezerra dos Santos , advogada e influenciada, presa na quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix — investigação que apura lavagem de dinheiro atribuído ao PCC — descobriu-se a fornecer as senhas de seus celulares, a descoberta durante buscas em sua residência no condomínio Tamboré, na Grande São Paulo. Foram coletados dois aparelhos pertencentes à influência, e, ao serem solicitados como senhas, Deolane não autorizou o acesso.

A defesa da advogada alega inocência. Após a prisão, Deolane foi concentrado para a Penitenciária de Tupi Paulista, a cerca de 670 quilômetros da capital. O município fica próximo a Presidente Venceslau, base da Operação Vérnix, que revelou um esquema milionário de lavagem de dinheiro do PCC por meio de um transportador de fachada situado ao lado da Penitenciária II.

O delegado Edmar Rogério Dias Caparroz, da Delegacia Seccional de Presidente Venceslau, afirmou que a recusa em fornecer as senhas não impedirá o avanço das investigações. Segundo ele, a Polícia Civil dispõe de técnicas para extrair informações armazenadas nos aparelhos.

Deolane foi detida às 6h da quinta-feira, após retornar de viagem a Roma na véspera. Além dos celulares, os agentes da Operação Vérnix — uma força-tarefa da Delegacia-Geral de Polícia e da Procuradoria-Geral de Justiça — apreenderam cerca de R$ 50 mil em dinheiro, joias, relógios e computadores em posse da influenciada.

De acordo com a Polícia, Deolane, indiciada por organização criminosa e lavagem de dinheiro, mantém "relações estreitas" com a liderança do PCC. Ela teria articulado uma rede de 35 empresas de fachada, todas registradas no mesmo endereço, um conjunto habitacional simples em Martinópolis, interior paulista.

Seis veículos de luxo, todos blindados, também foram apreendidos e estão sob custódia da Polícia em local não divulgado. Quatro desses veículos estavam com Deolane, enquanto os outros dois estavam sob posse de Éverton de Souza, contador da influenciadora e apontado como "operador financeiro" do PCC.

Após passar por audiência de custódia, a prisão de Deolane foi mantida. Ela será ouvida nos próximos dias, e seu depoimento integrará o relatório final complementar que está sendo elaborado pelos delegados Caparroz e Ramon Euclides Guarnieri Pedrão, documento que servirá de base para eventual denúncia do Ministério Público.