MERCADO INTERNACIONAL

Petróleo fecha em alta no dia, mas acumula queda na semana com avanços diplomáticos entre EUA e Irã

Cotação do petróleo reage a sinais de negociação nuclear e incertezas geopolíticas, enquanto traders avaliam impactos no mercado global.

Publicado em 22/05/2026 às 16:17
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O petróleo teve um preço volátil nesta sexta-feira, 22, encerrando o dia em nível alto, mas acumulando queda superior a 4% na semana. O movimento refletiu a cautela dos comerciantes diante dos avanços diplomáticos entre os Estados Unidos e o Irã para um possível acordo nuclear, em meio à expectativa pelo feriado do Memorial Day nos EUA na próxima segunda-feira.

No fechamento, o WTI para julho negociado na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex) subiu 0,26% (US$ 0,25), cotado a US$ 96,60 por barril. Já o Brent para o mesmo mês avançou 0,94% (US$ 0,96), fechando a US$ 103,54 por barril na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).

Apesar da alta diária, na semana o WTI acumulou baixa de 4,37%, enquanto o Brent recuperou 5,23%.

Segundo a Sky News Arabia, as negociações em Teerã avançaram para um entendimento geral sobre a questão nuclear. O progresso ocorre após a chegada ao Irã de uma equipe negociadora do Catar e do comandante do Exército do Paquistão, Asim Munir.

No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irão, Esmaeil Baghaei, afirmou nesta sexta-feira que ainda não é possível considerar um acordo com os EUA iminentes, citando "divergências profundas e extensas". Apesar disso, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, obteve avanços nas conversas, embora ressalte que um acordo ainda não é garantido.

Em meio às incertezas da guerra, a França descartou o uso de reservas de petróleo para tentar conter o choque de oferta, segundo o Financial Times. Já a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) informou que 35 embarcações comerciais cruzaram o Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, sob proteção das forças navais iranianas.

Analistas do Swissquote alertam que, se o tráfego pelo Estreito de Ormuz não estiver plenamente restabelecido em julho, as reservas de petróleo podem atingir níveis críticos. “E, até setembro, uma recessão em diversas economias globais pode se tornar o cenário-base”, avaliam.

No radar do setor, os Emirados Árabes Unidos anunciaram que a decisão de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) teve como objetivo a maximização de receitas e foi planejada ao longo de três anos. Segundo um assessor sênior do presidente do país, a medida reflete a percepção de que o mundo caminha para o “declínio da era dos hidrocarbonetos”.