Bloqueio no Orçamento é sinal de compromisso com regras fiscais, afirma ministro
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou nesta sexta-feira, 22, que o bloqueio adicional de R$ 22,1 bilhões anunciado nesta mesma data é um sinal de compromisso do governo com as regras fiscais. O valor bloqueado subiu para R$ 23,7 bilhões.
“Esse é um sinal fundamental que nós queremos dar, que a equipe econômica quer dar, de compromisso com as regras, de absoluto respeito aos limites fiscais que nós temos e, por isso, já no relatório de maio, fizemos esse bloqueio superior a R$ 20 bilhões”, afirmou Moretti.
Segundo ele, a divisão desse bloqueio será proporcional aos orçamentos dos órgãos. Esse detalhamento sai na próxima semana em decreto. Ele disse ainda que o faseamento da execução orçamentária dá muita segurança no cumprimento das regras fiscais.
“Temos instrumentos para garantir o cumprimento das regras, para garantir absoluta substituição e isso é fundamental para que a gente dissipe qualquer incerteza em relação ao cumprimento dessas regras, conforme aconteceu aí em outros períodos, em que se detectam fazer, por exemplo, despesas de previdência, de pagamento de benefícios fora das regras fiscais de gestões anteriores”, completou Moretti.
Projeção de gastos maiores por medidas para combustíveis
O ministro do Planejamento e Orçamento afirmou ainda que a projeção de despesas de 2026 está majorada pelas medidas tomadas para os combustíveis, que são imprevisíveis porque estão relacionadas à guerra e aos seus efeitos econômicos e sociais.
"Estamos com a projeção de despesa em proporção do PIB próximo, um pouco abaixo daquele primeiro relatório, mas é preciso que lembremos que essas despesas estão majoradas pelos créditos extraordinários relativos às medidas de mitigação dos efeitos da guerra", disse o ministro, em entrevista coletiva.
Ele acrescentou que essas medidas impactam a meta de resultado primário, portanto, não há ganho de espaço fiscal adicional em função dessas medidas. “Embora elas majorem temporariamente a despesa em proporção do PIB, são despesas temporárias, portanto, a nossa expectativa é que as despesas voltem para frente”, argumentou.
Moretti repetiu que essas despesas são custeadas com as receitas extraordinárias que também são temporárias. “Então, aqui há um efeito na despesa de gastos extraordinários que, para os próprios exercícios, se dissipam, nós não estamos fazendo compromissos que vão perdurar nos orçamentos ao longo do ano”.
Em seguida, o ministro disse que a perspectiva da equipe econômica é que as despesas voltem para o nível em torno de 19% do PIB. “A gente entende que o arcabouço fiscal funciona, ele é um instrumento de controle de despesas efetivas e isso se reflete nos números”, ressaltou.
Conservadorismo ao estimar os efeitos do choque de petróleo sobre as receitas
O ministro do Planejamento e Orçamento disse também que o governo foi muito conservador ao estimar os efeitos do choque de petróleo sobre as receitas. Segundo ele, o relatório bimestral de receitas e despesas apresentado é muito realista e conservador, apontando para o cumprimento da meta com cautela.
"Isso é muito importante para as pessoas darem sinais, que não só na especificação, mas também na receita. Temos um relatório muito realista, conservador, que aponta para o cumprimento das regras, mas o faz com muita cautela do ponto de vista dos parâmetros", afirmou Moretti.
Além disso, Moretti informou que retirou as projeções de receitas do leilão de áreas não contratadas do pré-sal, cuja estimativa era de R$ 31 bilhões. Ele afirmou que decidiu rediscutir o leilão em outros exercícios.
"Foi muito exitoso esse modelo, mas para este exercício, em meio a uma guerra, em meio a uma oscilação, não era a melhor decisão nós colocarmos em prática o leilão dessas áreas e, portanto, resolvemos rediscutir essa matéria para outros exercícios, sem nenhuma decisão até aqui sobre isso, apenas a de que nós estamos retirando integralmente das projeções", completou Moretti.