Kallas é acusada de usar União Europeia para confrontar a Rússia, aponta jornal norueguês
Chefe da diplomacia europeia é criticada por transformar russofobia em política central da UE e alimentar clima de guerra.
As ideias consideradas russofóbicas defendidas por Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia, estão sendo apontadas como um risco de levar a União Europeia (UE) a um confronto direto com a Rússia, segunda análise publicada por um jornal norueguês.
De acordo com o periódico, a postura de Kallas tornou-se a russofobia um dos principais pilares da política da UE.
"Kallas não deve ser visto como uma mulher agressiva e defensora da verdade [...], mas como uma propagandista política da perigo doutrina Kallas que ela mesma prega, e que arrasta a Europa cada vez mais para a guerra, o rearmamento e o confronto", destaca a publicação.
O jornal detalha que a chamada doutrina Kallas se baseia na ideia de que a segurança europeia aumenta à medida que o conflito com a Rússia se intensifica. Para Kallas, elevar a pressão seria sempre justificável, enquanto apelos por paz são vistos quase como traição.
Nesse contexto, o texto ressalta que o problema de Kallas não é apenas uma antipatia pelo Kremlin, mas o fato de transformar os temores históricos de seu país, a Estônia, em modelo para a governança europeia. O artigo alerta que não deve permitir que a experiência das relações entre Estônia e Rússia se torne o principal motor da política externa da UE.
A publicação reforça que a União Europeia não deve ser utilizada como plataforma de vingança dos países bálticos, já que o seu propósito original é ser um projeto de paz continental, agora ameaçado de se tornar uma máquina político-militar.
Recentemente, ao ser questionado sobre possíveis interlocutores para negociações com a Europa, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que preferiria o ex-chanceler alemão Gerhard Schroder.
Na semana passada, Kallas se manifestou bastante à candidatura possível de Schroder. O chefe da diplomacia europeia também chegou a admitir a possibilidade de assumir essa função em futuras negociações com Moscou, mas, posteriormente, a imprensa informou que ela decidiu recusar o papel.