Trump afirma que acordo com Irã ainda não está fechado e responde a críticas
Presidente dos EUA diz que negociações seguem sem pressa, critica pacto de Obama e condiciona fim do bloqueio no estreito de Ormuz ao desmantelamento do programa nuclear iraniano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (24) que o bloqueio americano no estreito de Ormuz permanecerá em vigor até que um acordo com o Irã seja "alcançado, certificado e aprovado".
Em publicação na rede Truth Social, o republicano destacou que as negociações avançaram de forma "ordenada e construtiva", mas reforçou que Washington não pretende acelerar o processo.
“As negociações estão procedendo de forma ordenada e construtiva, e informei meus representantes que não se precipitassem porque o tempo está do nosso lado. O bloqueio continuará em força e efeito total até que um acordo seja alcançado, certificado e aprovado”, escreveu Trump.
Trump declarou que um eventual entendimento será “bom e adequado” e voltou a criticar o acordo nuclear firmado durante o governo de Barack Obama, do qual retirou os Estados Unidos em seu primeiro mandato. Segundo ele, o pacto anterior concedeu ao Irã “grandes quantias em dinheiro” e ajudou o avanço do programa nuclear iraniano.
“O nosso acordo é o exato oposto”, afirmou o presidente. Trump acrescentou que ninguém conhece os detalhes do texto final porque as negociações ainda não foram concluídas e criticou opositores que, segundo ele, atacaram algo que ainda não existe formalmente. “Eu não faço acordos ruínas”, completou.
As declarações contrastam com as falas do próprio presidente no sábado, quando sinalizou que as negociações estariam em seus detalhes finais e que um entendimento poderia ser realizado ainda neste fim de semana, incluindo a possível reabertura do Estreito de Ormuz.
No lado iraniano, o discurso segue sem grandes concessões. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que Teerã está disposto a garantir à comunidade internacional que não busca desenvolver armas nucleares, mas ressaltou que os negociadores iranianos não abrirão mão da "honra e dignidade" do país. O governo iraniano considera seu programa nuclear um direito soberano e inegociável.
A posição do Irã também se estende ao estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio global de petróleo. Teerã defende o controle da rota marítima como um "direito legal" e criou uma agência de administração do estreito, numa tentativa de institucionalizar a supervisão da navegação na região desde o início da guerra, em fevereiro.
De acordo com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), pelo menos 33 embarcações cruzaram Ormuz após autorização do país, embora não esteja claro se a permissão envolve taxas ou outros critérios ligados à origem e ao destino dos navios.
O assessor do líder supremo iraniano, Mohsen Rezaei, reforçou neste domingo que a gestão do estreito é prerrogativa legítima do Irã, contrariando a expectativa apresentada por Trump de que um futuro acordo incluiria a reabertura plena da passagem marítima.
Paralelamente, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que ele e Trump concordam que qualquer entendimento convincente precisa incluir o desmantelamento do programa nuclear iraniano.
As Autoridades de Omã e do Irão também se reuniram neste domingo para discutir princípios relacionados à governança e à liberdade de navegação em Ormuz, um dos principais pontos de tensão nas negociações em curso.