Polícia Civil divulga projeção de idade de Maria Clara, desaparecida há quase cinco anos em Maceió
Nova imagem simula como estaria hoje a menina que sumiu aos 5 anos no Vergel do Lago; força-tarefa mobiliza Interpol, DNA e divulgação nacional
Quase cinco anos após o sumiço da pequena Maria Clara Gomes da Silva, que tinha apenas 5 anos na época, o caso ganha um novo desdobramento técnico na tentativa de romper o impasse nas investigações. Nesta segunda-feira (25), a Polícia Civil de Alagoas, em parceria com o Núcleo de Identificação da Polícia Federal, divulgou uma simulação de progressão de idade da criança, que atualmente teria 9 anos.
O retrato atualizado busca mobilizar o apoio da população para identificar o paradeiro da menina, que desapareceu após sair para brincar no bairro Vergel do Lago, na capital alagoense, sem deixar pistas concretas.
Cerco internacional e tecnologia na busca
Os esforços para localizar a criança ganharam um novo patamar há cerca de um ano, com a criação da Coordenação de Desaparecimento de Pessoas da Polícia Civil de Alagoas (PCAL). A unidade intensificou as ações de busca através de uma rede de cooperação nacional e internacional.
Entre as principais medidas adotadas pela força-tarefa, destacam-se:
Integração de dados: Inclusão do caso no Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD).
Genética: Coleta de material biológico dos pais para inserção no Banco Nacional de Pessoas Desaparecidas.
Alerta global: Solicitação, via Núcleo de Cooperação Internacional da PF, para a inclusão do nome de Maria Clara no Aviso Amarelo da Interpol — uma ferramenta mundial que dispara alertas para polícias de outros países sobre pessoas desaparecidas.
Divulgação em massa: Parceria com a ONG "Mães da Sé", de São Paulo, que viabiliza a estampagem da foto da menina em produtos de grande circulação, como caixas de leite.
O sumiço
No início da noite de 19 de julho de 2021, Maria Clara deixou a residência onde morava, localizada em um beco no Vergel do Lago, informando que iria brincar com uma colega na rua da frente. A menina não retornou.
Durante a fase inicial do inquérito, parentes e testemunhas foram ouvidos, e varreduras foram realizadas na região. À época, imagens de segurança que mostravam um homem transportando uma criança em uma bicicleta chegaram a ser analisadas, mas a linha de investigação não resultou em respostas conclusivas. A suspeita principal permanece sendo a de que ela tenha sido levada por terceiros.
Histórico familiar conturbado
O núcleo familiar da menina voltou a ser alvo de atenção policial e jornalística em novembro de 2024, em decorrência de um crime de violência doméstica envolvendo o irmão de Maria Clara, um garoto de 9 anos diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
De acordo com registros do Conselho Tutelar baseados em denúncias de moradores, o menino sofreu queimaduras graves na boca provocadas por um ovo quente. O ato teria sido uma punição aplicada pela avó e pelo companheiro dela, após a criança supostamente testemunhar uma cena de cunho sexual na residência.
O Conselho Tutelar interveio para garantir o atendimento médico e a medicação do menor. Antes do cumprimento da prisão dos suspeitos pela polícia, a avó e o companheiro foram agredidos por moradores da comunidade.