Mercosul-UE: Argentina e Uruguai esgotam cotas de arroz e ovos e acendem alerta no Brasil
Países vizinhos utilizam critério de prioridade e consomem cotas isentas para produtos agrícolas, deixando exportadores brasileiros em desvantagem no início do tratado com a União Europeia.
A falta de consenso sobre a divisão interna das cotas agrícolas do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia provocou a primeira disputa direta entre os países do bloco sul-americano. Aproveitando o critério transitório First-In, First-Out (Fifo), pelo qual preenche o teto quem registrar as exportações primeiro, Argentina e Uruguai esgotaram integralmente as cotas isentas de tarifas para produtos como arroz e ovos já no primeiro mês de vigência do tratado, iniciado em 1º de maio.
O movimento frustrou novas solicitações de licenças de exportadores brasileiros e expôs as assimetrias operacionais logo na largada do livre-comércio transatlântico.
Valeria Csukasi, servidora do Ministério de Economia e Finanças do Uruguai, detalhou em sua conta na rede social X que o país capturou 63% do volume total da cota, feito também comemorado pelo presidente uruguaio, Yamandú Orsi. O restante da cota de arroz foi preenchido pela Argentina.
No segmento de ovos, o ministro da Desregulação e Transformação do Estado da Argentina, Federico Sturzenegger, informou que os produtores argentinos garantiram 100% da cota com preferência tarifária para o mercado europeu, além de uma participação expressiva no mercado de mel.
Segundo Sturzenegger, o desempenho argentino foi impulsionado pela agilidade da nova guia digital da Janela Única de Comércio Exterior (VUCE), lançada em 3 de maio.